segunda-feira, 24 de novembro de 2008

poema para o amanhecer

Descansem o meu leito solitário
na floresta dos homens esquecida
à sombra de uma cruz.
e escrevam nela: foi poeta, sonhou e amou na vida.

O que chamam de amor, eu defino paixão.
O que chamam de vida, eu não sei explicar.
Apenas me distrai a certeza de que a vida humana, como conhecemos, não tem importância.
Não faz falta. Não altera o curso do rio. Não altera em nada a essência da nossa existência.
Estamos sós e nem a poesia, essa crianca triste, consegue explicar.
Muito do que somos nos veio pelo sentimento e não pela razão.
E queremos mudar o destino das coisas. Queremos que nosso momento tenha importância. Mas para uma mente aberta e sadia (ou doentia) a verdade vem à tona. Somos um bando num barco à deriva.
Não se impressione, caro leitor. A intencão não é chocar. Apenas aliviar a sua dor. Nem que pra isso eu tenha que compartilhar contigo uma dor ainda mais forte.
Fracassamos. Erramos. Nos perdemos. Mas desistir não é uma opcão.

Eu vejo um menino correndo. Eu vejo um mundo perdido. Eu sinto o vento soprando pra dentro de mim as tristezas da vida.
Quantas vezes eu pensei voltar e dizer que o meu amor nada mudou. Mas o meu silêncio foi maior e na distância morro todo dia sem você saber.

Não quero o sentimento das palavras. Não busco a certeza em seu olhar. Eu queria apenas dormir em paz. Dormir sem mim. Fugir de mim. E caminhar. E correr pelos jardins da vida e respirar e sonhar e sorrir e partir. A felicidade é um porto escondido no meio do nada. Alguns, os sábios, aprenderam o caminho. Mas nada se ensina. Nada se aprende. Facamos da nossa trajetória um monte de dias desconexos. Nada me encanta mais do que essa missão: não sei porque vim, não sei porque irei. E no intervalo entre esses dois acontecimentos, muita coisa se passa. Até você, que parte a partir daqui um pouquinho mais triste. Não se preocupe. Até você se esconde por detrás da vida vivida. Sentida. Sonhada. Ainda é cedo amor. Declamo a ti uns versos de amor. A esperanca é uma crianca mimada. Não fosse a beleza dessa sua boca e o contraste com esses seus olhos tristes e eu até acreditaria que a vida vale à pena. Hoje a tristeza venceu. Amanhã é outro dia.