sábado, 31 de agosto de 2013
me chamaram
"A vida é as vacas que você põe no rio para atrair as piranhas enquanto a boiada passa".
Começo assim. Com a faca da poesia na tua garganta.
Outro dia me chamaram de triste. E eu te digo que eu não sou. Sou um espelho que reflete o que se passa no mais fundo da tua alma. Calma. Sou raso. Nem tanto. Disparo balas de hortelã. Mente sã?
A tristeza que você vê em mim é o reflexo das sutilezas desse mundo cão. Onde o filho chora e a mãe não vê. Não dá tempo. Queres um alento? Volta lá pra novela das 8. Aqui não tem santo, meu irmão.
Sempre foi assim. Sempre será.
Mais amor por favor. O sorriso é onde o que restou da alma se esconde. E eu vim de onde?
Corro contra o tempo pra te ver. Perdi. Me perdi.
É no teu rumo que eu me aprumo.
Porque eu que era labirinto. E hoje quando me sinto é com saudades de mim. Enfim.
Você é feliz? Ora, você é feliz? Me diz.
Esse tiro passou por um triz.
Para onde aponta a direção do seu nariz? Me diz.
Era tudo tão perfeito, se tudo fosse só isso.
Enguiço. Sumiço. Desperdício de vida. Refletida em noites que eu não vou dormir.
Outro dia me chamaram de doido. Maluco. Menino confuso. Perdido. De onde vem tuas dores?
E eu te pergunto, por que abandonaste teus amores? Por que apagaste tuas cores?
Senhores, na guerra não há perdão. É o que tem pra hoje, goste você ou não.
A gente caminha na escuridão. Com giletes espalhadas pelo chão.
E os remédios normais já não aliviam a pressão. É em vão.
Sigo traçando no universo a linha tênue da minha existência. Carência. Demência. A arte é a ciência da nossa condição.
Caderno novo para uma nova lição. Novo recomeço. Remorso das palavras que não digo.
Não dá para se esconder. A vida é instável. Uma hora ela toca em ti. Pronto, morri.
Outro dia me chamaram de alegre. E há até quem concorde. Acorde. Não há alegria no meu penar. Pensar. Descartar.
Libertei-me das amarras do meu tempo. Invento. Eu quero a brisa no rosto. Não quero seu dinheiro sujo. Mas quero a minha parte. Em parte.
Não preciso que me digam onde é que nasce o sol. Não sei bem para onde vou. No intervalo disso tudo é que eu te digo: amigo.
Pra que viver se não for pela beleza de correr perigo? Insisto e desisto. Essa é a minha reação.
Eu quero apenas saber: como vai você? E os teus. A felicidade é uma linha torta. Que importa? Essa criança que dança ao som da lua.
Nua. Como um passarinho que flutua no ar. Livre. Deus me livre. Duvide daquele que te alimenta. Não é assim que criamos os gados?
Outro dia me chamaram de poeta. Idiota. Hipócrita. Sou o que sou. Ninguém vai negar. A pessoa é para o que nasce.
E assim segue o mundo. Vagabundo. Eu fiz tantas coisas para descobrir o que eu não sou.
Venho aqui humildemente pedir sua benção. Seu carinho. Atenção, o caminho é sozinho. Mas precisa ser solitário?
Otário. Medíocre ou Mediano. Insano. Insensível destino.
Sabe, a vida é uma caixinha de música. Mas você se esqueceu de dar corda. Acorda. Dançam as bailarinas como dançamos nós. Na valsa.
Na corda bamba. Um passo em falso e uma hora acaba. O tempo é o juiz. Me diz, você foi feliz?
Outro dia nem me chamaram. Ingratos. Eu sei ser sociável quando me convém.
Não feche a porta quando for sair. Talvez você queira voltar. Quem é você pra me julgar? Quem somos nós? Deixo no ar.
Há sempre uma gota de ilusão em cada olhar. Sou assim, meio faz de conta. Meio vai e vem. Nada me detém.
Eu quero me enrolar nos teus cabelos. Abraçar teu corpo inteiro. Morrer de amor. De amor me achar.
Outro dia me chamaram... E eu fui.
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