terça-feira, 27 de março de 2012

tocarraul

para os raulseixistas de plantão. o documentário "O início, o fim e o meio" é parada obrigatória.

faz uns 50 anos que eu tento terminar um texto sobre o cara. sobre as ideias do cara.
mas sempre aparece algo novo. ou algo que eu passo a querer compreender de forma diferente.
já disseram por aí que um bom texto não é aquele que a gente lê. um bom texto é aquele que lê a gente.

raul é o nosso nietzsche.
e isso dá um trabalho danado de explicar.

"O caminho do risco é o sucesso
O do acaso é a sorte
O da dor é o amigo [e como anda difícil encontrar um amigo por aí]
O caminho da vida é a morte!"

"Trancado dentro de mim mesmo
Eu sou um canceriano sem lar"
quantos cancerianos temos por aqui? acho que vocês, como eu, entendem perfeitamente o que é ser um canceriano sem lar.

"Dois problemas se misturam
A verdade do Universo e A prestação que vai vencer
Entro com a garrafa
De bebida enrustida
Porque minha mulher
Não pode ver"

qual porrada do raul foi a mais marcante para você e por quê?
porque raul é assim. entra como tequila. e depois dos tais 50 anos passa a ser absorvido como vinho. é tudo como ele sempre disse. só que diferente.

me lembro quando por acaso caí numa gravação de "Meu amigo Pedro"
"Toda vez que eu sinto o paraíso
Ou me queimo torto no inferno
Eu penso em você meu pobre amigo
Que só usa sempre o mesmo terno
Pedro, onde você vai eu também vou
Mas tudo acaba onde começou"

hj eu só queria alguém para recordar.
um banco na praça. pegar uma fila no xerox. roubar um chocolate no bandejão.
jogar caixote. imitar uma foca. levar a laranja pra passear. fazer serenata. ou não fazer absolutamente nada.
será que a gente não percebe que tudo isso se acaba?! escorre por entre os dedos como uma poesia que caducou.
você acorda um dia e já não é mais você. memórias, valores, segredos.
e isso não é necessariamente ruim, ou péssimo... é apenas vida.
algo digno de um amigo para recordar.

30 segundos de lucidez. de vez enquanto é bom.
e pra quem ainda acha que sou triste:
"eu sou o amargo da língua,
a mãe, o pai e o avô;
o filho que ainda não veio;
o início, o fim ..."

somos passado e futuro.
nunca presentes.
e isso vc interprete como preferir... pq quando "acabar o maluco sou eu".