sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

quem?

eu tenho uma mania (tenho várias, mas essa é especial).
eu gosto de inventar caminhos.
gosto de passar por ruas q nunca passei.
não q eu tenha a expectativa de abreviar meu calvário no trânsito de SP.
simplesmente é pq eu me interesso pelas vidas q nunca vivi.
e invariavelmente eu me ferro.
hj não foi diferente.
parei o carro. um calor dos infernos. esperando o segundo sol chegar (by Nando Reis e Cassia Eller) p pedir arrego.
e me vem o...
- Tio, um trocado!
- Qual seu nome? (calculando a verba na carteira... 25 reais).
- Renato. E o seu? (meio curioso com a minha pergunta, mas sabendo q estabeleceu um contato).
- Robson. Renato foi meu nome na vida passada.
- (Esse tio tá bem louco. vai me render 10 reais).
- Kd sua mãe?
- Morreu.
- E seu pai?
- Acho q tá preso.
- (O moleque zicado).
- Eu moro com minha vó.
- (tá mentindo. mentir é a forma de sobreviver nesses tempos. seja vc empresário, empregado, poeta ou simplesmente vc).
- Deixa eu ver os canos?
- O moleque me mostra os braços. Ou sejE... já usou droga injetável. quem não usa, não conhece essa gíria. mas pelo preço deve ter migrado para o crack.
- Tá com fome? Se eu te der um dinheiro, promete que vai comprar comida? palavra de homem?
- Tio, eu vou levar p casa.
- (não acreditei)
- Tó. 20ntão. se comprar pedra tá f* na minha mão.
nos olhamos por 2 segundos. olho no olho. coisa rara na nossa sociedade. eu mentindo p ele (não posso sentir suas dores). ele mentindo p mim (não posso entender pq vc tá fazendo isso).

no caminho fiquei pensando. ele poderia me assaltar. eu poderia reagir. ele poderia atirar.
a vida é instável.
a vida é instável.
em quem vc confia p entregar o seu filho, caso a vida termine?
caso vc (e seu marido/esposa) tenham q partir... quem é a pessoa em quem vcs confiam?
mas confiam de uma forma incondicional...
eu tenho a resposta. vc tem?
há uma gota de sangue em cada poema.
me exclua. me bloqueie. mas, please, não me ignore.
a vida é instável.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Quando vc não está

Quando vc não está
Eu converso com meus amigos imaginários
Mas a gente fala baixinho p não te acordar.
Eu te procuro pelos cômodos do apartamento
Mas não tenho pressa em te encontrar.

Eu mando em tudo q é meu. Meus sonos. Meus sonhos. Meus medos.
Eu não ligo a TV.
Eu tomo gelado. E geladas.
Eu escolho qq camisa.
Eu fico pensando até tarde.
Eu ganho todas as discussões.
Eu invento as razões.
Eu vejo filmes de guerra. Por 10 minutos.
Eu invento emoções. Por 10 minutos.
Eu ligo o rádio.
Eu não tomo o remédio.
Eu não troco o perfume.
Eu não escolho o destino. "O q pintar eu assino."
Eu fico pensando até tarde.
Eu perco as ilusões.
Eu abandono razões.
Eu só espero a poeira baixar.

Qdo vc não está a vida passa devagar.
10 anos em 10 minutos.
É tanta vida q eu duvido
Que alguém entenda o q eu digo.

Qdo vc não está a vida passa devagar.
Eu boto água nas plantas.
E ração pro cachorro.
E boto álcool no corpo.
Disso eu não morro.
Eu compro aquele livro q te falei no elevador. "Prá elevar a dor."
Eu ouço aquela nossa Canção. Prá continuar a compor.

Ah esse meu jeito estranho
De não dizer o que eu penso o que eu sinto o que eu quero.
Aí é que eu me desespero.
E descarto o q ganho.

Vc sempre reclama desse meu olhar infinito.
desse meu jeito aflito de duvidar de quem ama.
Vc sempre me fala das coisas q te fazem feliz.
e eu distraído nem vejo q a gente inventou um país.

Vc sempre domina com seu jeitinho sutil.
me faz querer o seu bem
rejeitando a meu modo
o meu comportamento hostil.

dizer q eu te amo é besteira
esperar meu amor é em vão 
o q faremos então?
hj eu só queria um motivo
pra da vida arrancar um sentido
se hj eu me vejo perdido
é só pq vc não está.

Olha, você tem todas as coisas
Que um dia eu sonhei pra ti
Minha cabeça cheia de problemas
Mas eu não me importo, tu me aceitas mesmo assim.

Quando vc não está eu durmo do seu lado da cama.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

esse mundo doido que a gente vive

já passa da meia-noite.
lá fora as pessoas de bem insistem em atrofiar o cérebro hipnotizadas com a TV
como insetos em torno da luz.
cada um que carregue sua cruz.
tem gente que prefere dormir.
nunca entendi essa gente que dorme cedo.
pra mim a noite sempre foi a parte mais interessante do dia.
como o disfarce do super-herói que só se revela quando ninguém vê.
o mundo está ao contrário e ninguém reparou.
ok, eu não sou desse mundo.
ah esse mundo doido que a gente vive.

fazer dinheiro p pagar imposto. fazer mais dinheiro p pagar mais mais imposto.
desgosto.
já reparou o tanto de coisa que a gente paga e não precisa? 
TV a cabo (acabo de entrar p solidão, acabo).
Carro. Manobrista. Flanelinha. Zona azul.
Apartamento. apertamento. com vista para o mar. mar de prédios.
onde pessoas infelizes constroem suas famílias perfeitas.
com direito a cachorro, gato e papagaio.
sempre achei que papagaio acha um saco isso de ficar repetindo o que ouve.
e a gente virou papagaio das notícias que alguém decidiu que a gente devia ler.
ah esse mundo doido que a gente vive.

vc aprendeu que o certo é certo e hoje vive com medo de criança na rua.
vacila prá ver se a criança com um 38itão na mão não fura vc.
pq deus é quem mata. as balas só faz os furo.
criamos uma sociedade de merda.
onde a regra é ostentar o q se tem e não sublimar o que se é.
tudo é propaganda. tudo é comprar. tudo é descartável.
até vc, no seu emprego perfeito.
chegará um dia em que vc perceberá q esse seu trabalho chato não te trouxe alegria.
e a vida passou.
e vc será velho demais p o seu emprego. perfeito.
precisamos consumir o q não precisamos.
é celular, moda, creme anti-rugas, escova de dentes elétrica.
eu é q não me sento no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar.
ah esse mundo doido que a gente vive.

qdo foi a última vez q vc enviou uma carta? um cartão de natal escrito à mão?
qdo foi q vc deu parabéns e um abraço sincero?
qdo foi a última vez q vc deu beijo apaixonado?
q vc perdeu 5 minutos p dizer ao próximo q a vida vai melhorar?
qdo foi q vc se tornou essa pessoa patética, estática, neurótica, conformista, cafona, medrosa, distante, ausente, carente e socialmente absolutamente inteligente?
era isso q vc queria? ser prisioneiro na sua própria cidade?
queimaram mais um ônibus. ou mais uma dentista. tanto faz. os dias são iguais.
mais uma briga de torcida. mais um apagão. mais uma coligação. mais uma tramoia. mais uma mamata. mais um magnata. menos uma ilusão.
a culpa é do governo, é claro. fio, é vc quem governa sua vida.
ah essa porra de mundo doido que a gente vive.

vem comigo.
vamos tomar uma gelada no boteco da esquina.
me ensina.
vamos ver a vida.
vamos sorrir e brincar e bailar como crianças das nossas próprias invenções.
vem comigo. corre perigo.
vamos resgatar aquele nosso velho amigo.
vem, vambora q o q vc demora é o q tempo leva.
vamos fazer uma serenata. vamos fazer poesias em guardanapos de papel.
vamos ver a lua. ou a rua.
a verdade nua e crua.
 vem tá na hora. de sentar na calçada. de fazer palhaçada.
de procurar o desconhecido.
de não se dar por vencido.
de jogar fora as nossas máscaras e âncoras e amarras e escudos.
hora de se desarmar. de amar.
de ser leve como o vento q sopra pra dentro de mim o cheiro da brisa do mar.
passou da hora de andar descalço. e sem camisa.
de esquecer dos seus deadlines. e check points.
das nossas dívidas.
dos chefes, mentores, professores, doutores.
vem comigo vai.
ainda dá tempo de ver o horizonte.
seja ele belo ou feio.
seja eterno ou seja meio.
eu quero falar da moça bonita. da esquisita.
da q se acha. e da q não se encontra.
da ruiva tatuada q passa fingindo q é descolada. coitada.
da gorda e da magra.
da q percebeu q tirando a pele somos todos iguais. mortais. 
ah q mundo doido é esse em que a gente vive.

por favor, é só hoje.
tem um cara aqui sozinho.
perdido no meio do caminho.
q sabe q vc é muito mais do q isso. é um desperdício.
vamos jogar bola. ou só jogar conversa fora.
vamos lembrar do tempo em q a gente era eterno.
me conta da sua viagem. da sua miragem.
vale falar de política ou de religião.
só não vale é ser em vão.
olha aquele andarilho. tem uma pessoa ali. q certamente já viu mais do q eu e vc.
larga mão desse face.
vamos comprar pipoca. ou algodão doce.
me conta dos seus filhos. dos seus planos. dos seus desenganos.
eu não me importo de ouvir.
eu só to com medo é de morrer e ninguém perceber.

ahhhhh. esse mundo doido que a gente NÃO vive.
é onde eu queria estar.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

meu pai

A gente se desacostuma. Mas não devia. Não que falte amor. Muito pelo contrário. É coisa de homem. Você cresce. Aprende as regras desse mundo cão. De tanto colocar a faca nos dentes prá matar o leão do dia, acaba se esquecendo do afeto. Daquele abraço apertado. De passar a mão nos cabelos brancos e poucos. De dizer com palavras o tamanho do nosso amor. Aquele nosso herói do passado hoje tropeça nas lembranças. E a gente se esquece do poder do contato. Depois de 3 meses nessa luta diária no hospital, pai, eu aprendi com você que cuidar é muito simples. É só a gente voltar no tempo em que eu dependia de você. E hoje eu sei que você não tinhas as respostas (que eu também não tenho hoje). Você simplesmente estava lá e isso me bastava. Estava lá para segurar a minha mão. Prá eu dormir no seu peito enquanto os monstros teimavam em poluir minhas noites. Mal sabia eu que os verdadeiros monstros eu encontraria agora. Eu não sabia que você sentia medo. E que bastaria eu segurar sua mão prá te fazer dormir. O mundo girou e hoje você precisa de mim. Mas não é uma dependência. É mais um compartilhar de sentimentos. Das teorias que inventamos juntos nessas noites mal dormidas. Das visitas ao banheiro. Das manias que você criou. Me dói te te ver assim... tão frágil. Tão carente de uma coisa tão simples: carente de presença. Será que você chorava tanto quanto eu choro hoje? É aquele choro contido, calado, sozinho, magoado. Aquele choro que sai quando ninguém vê. Que rasga o peito. Que corta a alma. Dói muito saber que você tá sofrendo e eu não consigo criar um Universo paralelo onde a gente é amigo de infância. Crianças da mesma idade brincando de bola. Choro em cada grande vitória e nas pequenas derrotas que temos enfrentado. Choro de alegria e de tristeza. Choro de amor. E de dor. Eu sempre soube que esse dia chegaria. Mas eu andava ocupado demais com meus falsos problemas. Aproveite que hoje é sexta e abrace seu pai. Ou sua mãe. Ou quem te faz feliz. Quem te completa. Diga tudo o que você sempre quis dizer e não disse. Ainda dá tempo. Eu não sei viver sem ter carinho. É a minha condição. A gente vai sair dessa. Te prometo. Nota em 04fev2014: saímos. :)

eu nunca

Eu nunca estou triste se tenho vc comigo. Eu estou COMIGO. Eu nunca estou SOZINHO se tenho a solidão comigo. Eu nunca estou. SÓ. VINHO.

poesia p uma noite quente

o poeta brinca com as palavras assim como o passarinho brinca com o vento. ou será o contrário?