No meu caminho há um velhinho que vende balas.
Fazer o quê? No caminho de outros há uma pedra.
No meu, só há um velhinho que vende balas.
De uns tempos prá cá comecei a perceber que ele sempre está lá.
Aconteça o que acontecer, ele sempre está lá.
Impassível. Imperfeito. Inerte. Imortal.
Quando eu passo emburrado, metido em meus falsos dilemas, ele está lá.
O velhinho que vende balas.
Quando eu passo esquecido, perdido em meus falsos delírios, o velhinho está lá.
Ele, que vende balas.
Sempre que eu paro (e eu sempre paro) ele me oferece uma bala.
Isso, por si só, já seria um baita motivo para eu me incomodar.
Mas o que me aporrinha mesmo é o olhar dele. Não há vida. Não há nada.
Não há ódio, nem angústia, nem dor.
Não há sofrimento, nem alegria, nem medo, nem nada.
Quando eu me recuso a comprar uma bala (e eu sempre me recuso) ele apenas
me olha. E sempre por dois segundos. Cara, isso me incomoda. E convenhamos,
é um bom motivo para me incomodar.
Aquele olhar vazio. É como olhar o chão do mar. E o mar hoje não tem fim.
Outro dia eu passei contente (e no passado eu sempre estou contente) e resolvi
comprar uma bala. Não porque eu goste dele ou de bala.
Mas é que eu queria ver um olhar. Outro olhar. Dito e feito.
Comprei a balinha. E assim foi. Dois segundos do mesmo olhar do velhinho
que vende balas. Ah... que agonia! O velho olhar. Ele não agradece.
Ele não se altera. Ele olha como quem não está lá.
Hoje eu passei "eu mesmo" (e eu nem sempre sou eu mesmo).
E para minha surpresa, hoje ele não estava lá.
O velhinho que vende balas não estava lá.
Não sei o que isso significa na sua vida, mas prá mim foi um mega acontecimento.
Simplesmente porque só hoje eu percebi que o olhar do velhinho
que vende balas é um espelho.
É um passaporte prá dentro de mim.
E se a gente inventasse que hoje é domingo?
E se a gente tomasse sorvete de chocolate?
E se a gente jogasse caixote?
E se a gente empinasse uma pipa?
E se a gente criasse uma banda?
E se a gente fizesse uma guerra de mamomas?
E se a gente lavasse o quintal com mangueira?
E se a gente fosse ao cinema?
E se a gente corresse na praia?
E se a gente desse o primeiro beijo?
E se a gente pulasse o muro da escola?
E se a gente bebesse uma pinga?
E se a gente se acreditasse? E se a gente se arrependesse?
E se a gente se olhasse no espelho?
Se a gente olhasse no espelho e visse o velhinho refletido?
E se a gente não visse?
Não sei. Só sei que hoje ele não estava lá. Lá no meu caminho.
(Me diz uma coisa:
quando Deus criou a vida, Ele já tinha criado a morte?
ou foi pura sorte?)
Não sei. Só sei que hoje ele também não estava lá. Lá no meu caminho.
PS: ah se o velhinho vendesse sonhos ao invés de balas...
terça-feira, 19 de agosto de 2008
e assim falou... Nietzsche
O ressentimento nasce da fraqueza e é nocivo ao fraco.
O homem ressentido, incapaz de esquecer, é como o dispéptico:
fica envenenado pela sua inveja e impotência de vingança.
Ao contrário, o homem nobre sabe digerir suas
experiências e esquecer é uma das formas de manter-se
saudável.
O sentimento de culpa é o ressentimento voltado
contra si mesmo, fazendo surgir a noção de Pecado,
que inibe a ação...
O homem ressentido, incapaz de esquecer, é como o dispéptico:
fica envenenado pela sua inveja e impotência de vingança.
Ao contrário, o homem nobre sabe digerir suas
experiências e esquecer é uma das formas de manter-se
saudável.
O sentimento de culpa é o ressentimento voltado
contra si mesmo, fazendo surgir a noção de Pecado,
que inibe a ação...
razão X paixão - Gibran Khalil Gibran
A razão, reinando sozinha, restringe todo o impulso.
A paixão, deixada a si, é um fogo que arde até a sua própria destruição.
Onde está o equilíbrio?
A paixão, deixada a si, é um fogo que arde até a sua própria destruição.
Onde está o equilíbrio?
das utopias - Mario Quintana
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las.
Que tristes os caminhos não fora
a presença distante das estrelas!
Não é motivo para não querê-las.
Que tristes os caminhos não fora
a presença distante das estrelas!
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
os teus olhos
os teus olhos procuram.
mas não encontram os meus,
que te admiram.
sublime conceito de desencontro.
a agonia da alma em doces devaneios de solidão.
de todas as ilusões da vida
o amor é a mais tola expectativa de felicidade.
mas não encontram os meus,
que te admiram.
sublime conceito de desencontro.
a agonia da alma em doces devaneios de solidão.
de todas as ilusões da vida
o amor é a mais tola expectativa de felicidade.
olhos tristes
que olhos tristes sao estes, moca?
onde foi que colocaste as alegrias da vida?
se eh que elas existem... eu bem sei.
me disseram porem que a vida eh feita de pedacinhos de ilusao
entao junta os pedacos dessa sua ilusao morta e monta uma vida nova
com novas ilusoes para virarem novos pedacinhos
onde foi que colocaste as alegrias da vida?
se eh que elas existem... eu bem sei.
me disseram porem que a vida eh feita de pedacinhos de ilusao
entao junta os pedacos dessa sua ilusao morta e monta uma vida nova
com novas ilusoes para virarem novos pedacinhos
o encontro
Sabe esses dias em que tudo parece meio morto?
Pois é. Olhando para o nada... esperando o maldito vermelho virar verde.
Nem mesmo o pensamento, esse fiel companheiro das minhas noites de insônia, para me fazer companhia.
Nada. Ninguém. Silêncio absoluto lá fora e aqui dentro de mim.
De repente, olho pro lado e não estou mais só.
Bem ali, ao meu lado, olhos fixos em mim.
Não tive tempo de sentir medo. Aquele olhar...
conhecia bem aquele olhar. Era o mesmo que me repreendia do espelho todas as manhãs.
A certeza de estar fazendo a coisa errada e não ter forças para parar.
Reconhecendo o olhar, tudo começou a fazer sentido. Senti frio.
Ou algum outro sentimento qualquer.
- Entao é isso?
- Sim.
- Mas sem aviso... assim... do nada?
- É.
- Que coisa, hein?
- Se eu dissesse que viria, vc me esperaria?
- Claro que não, oras!
- Pois então. Tem de ser assim.
- Vendo por esse lado. É. Vc tem razão.
Melhor que seja assim. Rápido e indolor.
... Mas é que eu tinha tanta coisa prá fazer hj. Terminar o maldito projeto...
- Não vai precisar...
- Cronograma atrasado. Preciso arranjar uma boa desculpa. Nessas horas todo mundo
quer tirar o seu da reta. Sabe como é, com essa onda de cortes.
Semana passada foram 4. Dizem que...
- Ei, meu chapa! Chega. Acabou. Game Over. Percebe?
- Claro. Desculpa. Força do hábito. Puxa, a gente só tem essa certeza na vida.
E na hora H... fica surpreso em saber que essa é a hora H.
- Quer dar uma última olhadinha?
- Acho que quero...
Então eu vi minha vida passar por mim. Não como um filme, mas uma sequência desconexa de fotos.... retratos de quem eu era, de quem eu achava que era... de quem os outros
achavam que eu era...e de quem eu jamais cheguei a ser.
A primeira bicicleta. Uma Caloi verde horrenda. O estacionamento onde eu jogava bola.
O avental do primário. Meu pai na arquibancada. Minha mae na cozinha.
Putz... O quartel. Horas preciosas perdidas naquela guarita.
Minha irmã dentro do carro que eu dei pra ela.
Ei... o povo de Sanca. Aloja. Estranho sentir saudade da comida do bandejão, mas eu senti.
Uma certa blusa default. Pedaços de um quebra-cabeca, contando a minha passagem por
estas bandas.
E essas coisas do passado botam a gente comovido prá caramba.
Mais fotos. O ritmo aumentando. E eu tentando conectar a foto ao fato
como quem junta os pedacinhos de uma carta de amor que nunca enviou.
Lá fora tudo normal. Ei! Pessoas!!! Aqui! Olhem pra mim!
Mais fotos. Algumas que eu nem me lembrava mais. Frases perdidas
Palavras jogadas: NAC. CPOR. FUVEST. SCE. CEFER. ICMSC. Processos Estocásticos.
- Posso pular essa parte?
- Claro. O album é seu.
- Ok. Valeu. Quanto tempo ainda resta?
- Relaxa. O tempo é algo que não tem mais importância prá vc...
Cachoeira. Devia ter ido mais lá, pensei quase me culpando.
E me desculpando.
- Sabe, fiz tanta coisa errada. Se eu pudesse...
Se eu pudesse faria tudo de novo. Só que erraria mais dessa vez.
Saudade. Li uma frase do Mário Prata que dizia:
"Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue".
Saudade é isso.
- Posso chorar?
- Se vc quiser. Mas não vai adiantar.
- É. Deveria ter chorado mais. E sorrido em dobro também.
Peraí! Quem é essa crianca?
- Seu filho.
- ... Eu não tive filhos!
- Não!!!
- Não!!! (E eu vi a Dona Morte assustada)
- Certeza?
- Bem. Mais ou Menos. Não que eu saiba. Quer dizer.. Sim. Acho que tenho quase certeza
(já trucando).
- Que inferno! Foi mal. Desculpa pelo mau jeito. Cheguei cedo demais. Até a próxima então.
Só tive tempo de pensar:
- Ainda bem que de vez em quando a gente se lembra de que morre.
Quem sabe assim consiga viver um pouquinho mais...
- Opa! Abriu o farol. Acelero... e a vendedora de balas já não me incomoda mais...
Pois é. Olhando para o nada... esperando o maldito vermelho virar verde.
Nem mesmo o pensamento, esse fiel companheiro das minhas noites de insônia, para me fazer companhia.
Nada. Ninguém. Silêncio absoluto lá fora e aqui dentro de mim.
De repente, olho pro lado e não estou mais só.
Bem ali, ao meu lado, olhos fixos em mim.
Não tive tempo de sentir medo. Aquele olhar...
conhecia bem aquele olhar. Era o mesmo que me repreendia do espelho todas as manhãs.
A certeza de estar fazendo a coisa errada e não ter forças para parar.
Reconhecendo o olhar, tudo começou a fazer sentido. Senti frio.
Ou algum outro sentimento qualquer.
- Entao é isso?
- Sim.
- Mas sem aviso... assim... do nada?
- É.
- Que coisa, hein?
- Se eu dissesse que viria, vc me esperaria?
- Claro que não, oras!
- Pois então. Tem de ser assim.
- Vendo por esse lado. É. Vc tem razão.
Melhor que seja assim. Rápido e indolor.
... Mas é que eu tinha tanta coisa prá fazer hj. Terminar o maldito projeto...
- Não vai precisar...
- Cronograma atrasado. Preciso arranjar uma boa desculpa. Nessas horas todo mundo
quer tirar o seu da reta. Sabe como é, com essa onda de cortes.
Semana passada foram 4. Dizem que...
- Ei, meu chapa! Chega. Acabou. Game Over. Percebe?
- Claro. Desculpa. Força do hábito. Puxa, a gente só tem essa certeza na vida.
E na hora H... fica surpreso em saber que essa é a hora H.
- Quer dar uma última olhadinha?
- Acho que quero...
Então eu vi minha vida passar por mim. Não como um filme, mas uma sequência desconexa de fotos.... retratos de quem eu era, de quem eu achava que era... de quem os outros
achavam que eu era...e de quem eu jamais cheguei a ser.
A primeira bicicleta. Uma Caloi verde horrenda. O estacionamento onde eu jogava bola.
O avental do primário. Meu pai na arquibancada. Minha mae na cozinha.
Putz... O quartel. Horas preciosas perdidas naquela guarita.
Minha irmã dentro do carro que eu dei pra ela.
Ei... o povo de Sanca. Aloja. Estranho sentir saudade da comida do bandejão, mas eu senti.
Uma certa blusa default. Pedaços de um quebra-cabeca, contando a minha passagem por
estas bandas.
E essas coisas do passado botam a gente comovido prá caramba.
Mais fotos. O ritmo aumentando. E eu tentando conectar a foto ao fato
como quem junta os pedacinhos de uma carta de amor que nunca enviou.
Lá fora tudo normal. Ei! Pessoas!!! Aqui! Olhem pra mim!
Mais fotos. Algumas que eu nem me lembrava mais. Frases perdidas
Palavras jogadas: NAC. CPOR. FUVEST. SCE. CEFER. ICMSC. Processos Estocásticos.
- Posso pular essa parte?
- Claro. O album é seu.
- Ok. Valeu. Quanto tempo ainda resta?
- Relaxa. O tempo é algo que não tem mais importância prá vc...
Cachoeira. Devia ter ido mais lá, pensei quase me culpando.
E me desculpando.
- Sabe, fiz tanta coisa errada. Se eu pudesse...
Se eu pudesse faria tudo de novo. Só que erraria mais dessa vez.
Saudade. Li uma frase do Mário Prata que dizia:
"Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue".
Saudade é isso.
- Posso chorar?
- Se vc quiser. Mas não vai adiantar.
- É. Deveria ter chorado mais. E sorrido em dobro também.
Peraí! Quem é essa crianca?
- Seu filho.
- ... Eu não tive filhos!
- Não!!!
- Não!!! (E eu vi a Dona Morte assustada)
- Certeza?
- Bem. Mais ou Menos. Não que eu saiba. Quer dizer.. Sim. Acho que tenho quase certeza
(já trucando).
- Que inferno! Foi mal. Desculpa pelo mau jeito. Cheguei cedo demais. Até a próxima então.
Só tive tempo de pensar:
- Ainda bem que de vez em quando a gente se lembra de que morre.
Quem sabe assim consiga viver um pouquinho mais...
- Opa! Abriu o farol. Acelero... e a vendedora de balas já não me incomoda mais...
minha história
Sempre me perguntam de onde eu tiro as idéias para escrever os meus textos.
E em verdade eu vos digo, eu as tiro do vinho.
Não do vinho engarrafado, mas do vinho bebido. do vinho sentido. do vinho vivido.
Porque, como Quintana dizia, um bom poema não é aquele que a gente lê. um bom poema é aquele que lê a gente.
Sempre me perguntam por que o que eu escrevo é triste.
E em verdade eu vos digo, eu desconheço a razão.
As minhas palavras é que se juntam por vontade própria para expressar as tristezas do mundo.
Porque quando eu estou feliz eu sorrio. Quando eu estou triste eu escrevo. Quando eu estou perdido eu corro. Quando eu não estou é que eu me encontro.
Sempre me pergunto de onde eu vim e para onde eu vou.
E em verdade eu me digo, vim de não sei onde e vou para lugar algum.
De que importa a partida? De que interessa a chegada? Se a felicidade é o meio.
Porque o que eu busco não é um caminho, mas um jeito novo de caminhar.
E perguntando eu me vou -
pão de queijo ou pão de mel? pão de açúcar.
loira ou morena? uma ruiva.
casado ou solteiro? eu passo.
casa de praia ou casa de campo? a casa que é minha.
o pai ou a mãe? o filho.
o sorriso ou o choro? o seu cheiro.
e-mail ou carta? o abraço.
a sogra ou o sogro? o cachorro.
balada ou churrasco? o amigo.
o sol ou a lua? eu durmindo na rede.
Sempre me pergunto por que o céu e azul? Por que o mar muda de cor?
Por que a liberdade é azul? Por que o homem é mesquinho?
Por que a vida é tão boa? Por que o meu inimigo sou eu?
Por que a semana demora a passar e os anos passam tão depressa?
Por que uma bala perdida sempre encontra alguém no caminho?
Por que eu não entendo meu pai? Por que eu saí de fininho?
Por que o bandido é tão mau? E a polícia também?
Por que tantas perguntas se a resposta depende?
O vinho é triste... ou você não me entende?
A gente perde tempo demais pensando pensando pensando,
mas o que eu queria dizer
É que eu adorei meu disfarce.
O desafio de todo poeta é uma folha em branco.
E se você acha que você me entendeu... eu to só começando.
se fosse fácil eu mesmo explicava.
E em verdade eu vos digo, eu as tiro do vinho.
Não do vinho engarrafado, mas do vinho bebido. do vinho sentido. do vinho vivido.
Porque, como Quintana dizia, um bom poema não é aquele que a gente lê. um bom poema é aquele que lê a gente.
Sempre me perguntam por que o que eu escrevo é triste.
E em verdade eu vos digo, eu desconheço a razão.
As minhas palavras é que se juntam por vontade própria para expressar as tristezas do mundo.
Porque quando eu estou feliz eu sorrio. Quando eu estou triste eu escrevo. Quando eu estou perdido eu corro. Quando eu não estou é que eu me encontro.
Sempre me pergunto de onde eu vim e para onde eu vou.
E em verdade eu me digo, vim de não sei onde e vou para lugar algum.
De que importa a partida? De que interessa a chegada? Se a felicidade é o meio.
Porque o que eu busco não é um caminho, mas um jeito novo de caminhar.
E perguntando eu me vou -
pão de queijo ou pão de mel? pão de açúcar.
loira ou morena? uma ruiva.
casado ou solteiro? eu passo.
casa de praia ou casa de campo? a casa que é minha.
o pai ou a mãe? o filho.
o sorriso ou o choro? o seu cheiro.
e-mail ou carta? o abraço.
a sogra ou o sogro? o cachorro.
balada ou churrasco? o amigo.
o sol ou a lua? eu durmindo na rede.
Sempre me pergunto por que o céu e azul? Por que o mar muda de cor?
Por que a liberdade é azul? Por que o homem é mesquinho?
Por que a vida é tão boa? Por que o meu inimigo sou eu?
Por que a semana demora a passar e os anos passam tão depressa?
Por que uma bala perdida sempre encontra alguém no caminho?
Por que eu não entendo meu pai? Por que eu saí de fininho?
Por que o bandido é tão mau? E a polícia também?
Por que tantas perguntas se a resposta depende?
O vinho é triste... ou você não me entende?
A gente perde tempo demais pensando pensando pensando,
mas o que eu queria dizer
É que eu adorei meu disfarce.
O desafio de todo poeta é uma folha em branco.
E se você acha que você me entendeu... eu to só começando.
se fosse fácil eu mesmo explicava.
o livro
Tava aqui pensando. quando a gente nasce vão logo botando um livro em branco na nossa mão
e mandando a gente começar a escrever.
vc nem sabe direito o que é a vida (e vai passar a vida inteira sem saber)
e vão logo cobrando que vc escreva a sua história.
e, de cara, vc precisa descobrir duas coisas:
1) o que vc mais gosta de fazer
2) o que vc faz melhor
se vc for o "cara", essas duas coisas serão a mesma coisa. e se o "cara"
lá de cima te escolheu como "case" do livro dele, aí figura, tu tá feito.
vai ganhar a vida fazendo o que mais gosta e o que faz de melhor.
eu bem sei, pq sonhei um dia.
e comecei a botar esse sonho no meu livro desde sempre.
vc vai montando a historinha, meio que sem saber direito que palavras usar.
vc quer ser diferente, mas percebe que todas as palavras já foram usadas.
pior ainda é que quando vc tenta ser igual aos outros, a sua história sai diferente,
pois não existem dois livros iguais nessa vida.
vc copia capítulos inteiros das pessoas que vc admira, mas a coisa não
sai como vc queria. aí, no meio de uma simples página qualquer,
vc se dá conta de que errou no texto.
arranca a página, sacode a poeira e... tenta dar a tal volta por cima.
por cima de quem eu não sei. talvez seja por cima dos seus próprios medos.
de vez em quando, a história que vc está escrevendo se confunde com a história
de outras pessoas. bom mesmo é quando uma dessas histórias está sendo escrita
por uma pessoa especial. especial prá sua história.
vc só vai perceber bem depois, quando a sua história e a dela (ou dele) já
viraram uma só.
parece que tudo fica mais fácil. o livro fica meloso. aquelas palavras bregas (amor, casamento, família, filhos) que vc odiava começam a ficar bonitinhas.
e vcs escrevem cada coisa, meu caro, que o horário e a decência me impedem de
comentar aqui. mas eu bem sei que vc sabe do que eu to falando. ou escrevendo.
o grande problema é que tem sempre o momento de escrever um novo capítulo.
e cada livro é pessoal e intransferível. e a sua história e a da outra pessoa
nem sempre prosseguem na mesma direção (mas essa já é uma outra história).
quem é que conhece os caminhos dessa vida?
o fato é que, por pior que seja o texto, será sempre a sua história.
a sua. de mais ninguém. e vc aprende que tem que se orgulhar disso.
aprende que não existe decisão errada. nem certa.
que escrever qualquer coisa é sempre melhor do que deixar a página
em branco. aprende que vc sempre pode reler um parágrafo, uma frase, uma
palavra (principalmente aquelas palavras não ditas). e ainda que não seja
permitido alterar nenhum trecho, isso tudo pode te ajudar a tentar
mudar a página seguinte, que ainda não foi escrita mas está prestes a acontecer.
aprende que vc pode deixar sua marca nos livros dos outros. e isso, muito além
de um prazer é certamente uma responsabilidade. vc escreve na vida dos outros
com um carinho, um abraço, um beijo ou uma ausência.
pq às vezes nos falta a palavra exata, mas não há de nos faltar um amigo sincero
com um sinônimo qualquer para nos encorajar a seguir adiante. ou ficar do nosso lado
enquanto choramos baixinho e borramos a página triste que acabamos de escrever.
aprende que o feio não é não chegar, mas não ter a coragem de ir.
que a melhor parte em vc é exatamente aquilo que vc esconde dos outros.
aprende que saudade não é caminhar vazio. que amar vale à pena. que tem coisas
que o dinheiro verdadeiramente não compra: os sentimentos.
que o passado já passou e o futuro é um lugar aonde vc ainda vai morar um dia.
que o tempo não volta atrás, mas que o pensamento é vc criança e vai brincar aonde
vc deixar ele ir.
aprende que um livro pode ser encerrado a qualquer momento, mesmo aparentemente
inacabado. pq a vida é assim: o personagem principal de cada história sempre
morre. ou vira vento. palavras ao vento.
mas chega de tanta bobagem pq tem palavras demais aqui (e sentimentos também)
e a vida não pára prá gente viver.
que neste ano novo seu livro seja repleto de belas histórias, pq eu ando achando
que a vida é só isso mesmo.
e mandando a gente começar a escrever.
vc nem sabe direito o que é a vida (e vai passar a vida inteira sem saber)
e vão logo cobrando que vc escreva a sua história.
e, de cara, vc precisa descobrir duas coisas:
1) o que vc mais gosta de fazer
2) o que vc faz melhor
se vc for o "cara", essas duas coisas serão a mesma coisa. e se o "cara"
lá de cima te escolheu como "case" do livro dele, aí figura, tu tá feito.
vai ganhar a vida fazendo o que mais gosta e o que faz de melhor.
eu bem sei, pq sonhei um dia.
e comecei a botar esse sonho no meu livro desde sempre.
vc vai montando a historinha, meio que sem saber direito que palavras usar.
vc quer ser diferente, mas percebe que todas as palavras já foram usadas.
pior ainda é que quando vc tenta ser igual aos outros, a sua história sai diferente,
pois não existem dois livros iguais nessa vida.
vc copia capítulos inteiros das pessoas que vc admira, mas a coisa não
sai como vc queria. aí, no meio de uma simples página qualquer,
vc se dá conta de que errou no texto.
arranca a página, sacode a poeira e... tenta dar a tal volta por cima.
por cima de quem eu não sei. talvez seja por cima dos seus próprios medos.
de vez em quando, a história que vc está escrevendo se confunde com a história
de outras pessoas. bom mesmo é quando uma dessas histórias está sendo escrita
por uma pessoa especial. especial prá sua história.
vc só vai perceber bem depois, quando a sua história e a dela (ou dele) já
viraram uma só.
parece que tudo fica mais fácil. o livro fica meloso. aquelas palavras bregas (amor, casamento, família, filhos) que vc odiava começam a ficar bonitinhas.
e vcs escrevem cada coisa, meu caro, que o horário e a decência me impedem de
comentar aqui. mas eu bem sei que vc sabe do que eu to falando. ou escrevendo.
o grande problema é que tem sempre o momento de escrever um novo capítulo.
e cada livro é pessoal e intransferível. e a sua história e a da outra pessoa
nem sempre prosseguem na mesma direção (mas essa já é uma outra história).
quem é que conhece os caminhos dessa vida?
o fato é que, por pior que seja o texto, será sempre a sua história.
a sua. de mais ninguém. e vc aprende que tem que se orgulhar disso.
aprende que não existe decisão errada. nem certa.
que escrever qualquer coisa é sempre melhor do que deixar a página
em branco. aprende que vc sempre pode reler um parágrafo, uma frase, uma
palavra (principalmente aquelas palavras não ditas). e ainda que não seja
permitido alterar nenhum trecho, isso tudo pode te ajudar a tentar
mudar a página seguinte, que ainda não foi escrita mas está prestes a acontecer.
aprende que vc pode deixar sua marca nos livros dos outros. e isso, muito além
de um prazer é certamente uma responsabilidade. vc escreve na vida dos outros
com um carinho, um abraço, um beijo ou uma ausência.
pq às vezes nos falta a palavra exata, mas não há de nos faltar um amigo sincero
com um sinônimo qualquer para nos encorajar a seguir adiante. ou ficar do nosso lado
enquanto choramos baixinho e borramos a página triste que acabamos de escrever.
aprende que o feio não é não chegar, mas não ter a coragem de ir.
que a melhor parte em vc é exatamente aquilo que vc esconde dos outros.
aprende que saudade não é caminhar vazio. que amar vale à pena. que tem coisas
que o dinheiro verdadeiramente não compra: os sentimentos.
que o passado já passou e o futuro é um lugar aonde vc ainda vai morar um dia.
que o tempo não volta atrás, mas que o pensamento é vc criança e vai brincar aonde
vc deixar ele ir.
aprende que um livro pode ser encerrado a qualquer momento, mesmo aparentemente
inacabado. pq a vida é assim: o personagem principal de cada história sempre
morre. ou vira vento. palavras ao vento.
mas chega de tanta bobagem pq tem palavras demais aqui (e sentimentos também)
e a vida não pára prá gente viver.
que neste ano novo seu livro seja repleto de belas histórias, pq eu ando achando
que a vida é só isso mesmo.
cotidiano
Tião era um cara bacana. Sabe aquele tipo de gente que nasce para ser contingência? Pois então, esse era o Tião. Queimou o chuveiro? corre Tião. Entrou rato no quintal? acode Tião. R$20,00 para cobrir a prestação do fogão? socorre Tião.
Sempre fora assim. Desde que chegara do norte, com a idade de 16 anos incompletos. Morando de favor, a gente precisa ser bom-bril. Se acostumou com isso. Nessa vida, a gente só não se acostuma com a morte. Servente de pedreiro aos 17. Cabo do exército aos 19. Aos 25 nasceu o primeiro filho. Aos 27 finalmente se casou. Morreu ontem, o pobre infeliz. Pobre, mas feliz. Morreu de morte matada que é a morte que se morre antes dos 30 no Capão Redondo. A polícia desconhece o motivo.
... PARA QUE MEUS INIMIGOS TENHAM PÉS E NÃO ME ALCANCEM...
Pedro Henrique sempre foi problema. Na verdade o problema de Pedro foi a ausência de problemas. Segundo filho de uma tradiconal família do Planalto Paulista, nunca quis ser nada na vida. E conseguiu. Hoje Pedro não vai para a faculdade. Pedro está internado numa clínica para dependentes químicos. A família esclarece que Pedro está fazendo intercâmbio cultural em Londres e agradece pela preocupação dos amigos, que - por amizade - acreditam.
... PARA QUE MEUS INIMIGOS TENHAM MÃOS E NAO ME TOQUEM...
Jandira é mulher guerreira. Mãe de quatro filhos. Pai de mais um (filho de uma irmã que fugiu com o namorado para Tocantins e por esse motivo não aparece nessa estória). Seis pessoas que dividem um quarto e cozinha em São Matheus. Como se nao bastassem os seus, Jandira é baba de mais dois. Estes, ela trata com mais carinho. Afinal de contas precisa manter o emprego, que é o sustento da família. Jandira sabe que, se Deus quiser, ao menos um filho há de vencer na vida. O diabo é Deus querer.
... E NEM MESMO UM PENSAMENTO ELES POSSAM TER PARA ME FAZEREM MAL...
Janaína descobriu ainda menina que era bonita. E antes de ser bonita, Janaína era bem formada de corpo. E isso os homens também perceberam. E estas percepções, guiadas pela mão do destino, seriam a desgraça de Janaína. Seriam, mas não se sucedeu. O fato é que Janaína engravidou aos 14. Seu Dirceu, o pai, para evitar a desonra do nome da família falou com o Pastor, que falou com Tião (Nota: esse é outro Tião porque aquele não fala mais com os vivos. Pelo menos não nessa igreja) que falou com Chico Matador que falou com o rapaz que prontamente aceitou se casar. E assim nasceu Gabriela, uma coisinha linda, que aos 2 meses de idade é quem mantem toda a familia unida.
... FACAS E ESPADAS SE QUEBREM SEM O MEU CORPO TOCAR...
Fabi passeia com seu cãozinho pelo parque. O cãozinho, vai tão alegre, que fica difícil distinguir quem conduz a coleira. Pereira é motorista de ônibus. Ontem Pereira foi levar seu sobrinho para fazer teste no São Paulo. Incrível como essa gente insiste em nascer com talento. Clarice é manicure. Quando não tem cliente, Clarice se distrai lendo Dostoievski.
Marina foi viajar. João Alberto desistiu de lutar. Os médicos desconfiam que João Alberto não passe dessa noite. A enfermaria está lotada, mas Seu Betinho ouviu dizer que vai vagar um leito.
... CORDAS E CORRENTES ARREBENTEM SEM O MEU CORPO AMARRAR...
O que estas pseudo-pessoas possuem em comum? O fato de serem pessoas. E de serem humanas. O bem e o mal. E de viverem em sampa city, a cidade que constrói e destrói coisas belas. Cada pessoa uma história. Uma vida. Uma morte. E um intervalo de tempo entre essa vida e essa morte.
Para se conhecer, para se ter acesso... é preciso mergulhar no submundo da cidade. É preciso cortar na carne da cidade, olhar por baixo da pele, remexer, revirar. Histórias que a novela das 8 não conta. E que a gente não se cansa de esquecer. O que será que é mais importante do que a vida de cada pessoa? A pessoa é para o que nasce, já dizia o profeta.
Sempre fora assim. Desde que chegara do norte, com a idade de 16 anos incompletos. Morando de favor, a gente precisa ser bom-bril. Se acostumou com isso. Nessa vida, a gente só não se acostuma com a morte. Servente de pedreiro aos 17. Cabo do exército aos 19. Aos 25 nasceu o primeiro filho. Aos 27 finalmente se casou. Morreu ontem, o pobre infeliz. Pobre, mas feliz. Morreu de morte matada que é a morte que se morre antes dos 30 no Capão Redondo. A polícia desconhece o motivo.
... PARA QUE MEUS INIMIGOS TENHAM PÉS E NÃO ME ALCANCEM...
Pedro Henrique sempre foi problema. Na verdade o problema de Pedro foi a ausência de problemas. Segundo filho de uma tradiconal família do Planalto Paulista, nunca quis ser nada na vida. E conseguiu. Hoje Pedro não vai para a faculdade. Pedro está internado numa clínica para dependentes químicos. A família esclarece que Pedro está fazendo intercâmbio cultural em Londres e agradece pela preocupação dos amigos, que - por amizade - acreditam.
... PARA QUE MEUS INIMIGOS TENHAM MÃOS E NAO ME TOQUEM...
Jandira é mulher guerreira. Mãe de quatro filhos. Pai de mais um (filho de uma irmã que fugiu com o namorado para Tocantins e por esse motivo não aparece nessa estória). Seis pessoas que dividem um quarto e cozinha em São Matheus. Como se nao bastassem os seus, Jandira é baba de mais dois. Estes, ela trata com mais carinho. Afinal de contas precisa manter o emprego, que é o sustento da família. Jandira sabe que, se Deus quiser, ao menos um filho há de vencer na vida. O diabo é Deus querer.
... E NEM MESMO UM PENSAMENTO ELES POSSAM TER PARA ME FAZEREM MAL...
Janaína descobriu ainda menina que era bonita. E antes de ser bonita, Janaína era bem formada de corpo. E isso os homens também perceberam. E estas percepções, guiadas pela mão do destino, seriam a desgraça de Janaína. Seriam, mas não se sucedeu. O fato é que Janaína engravidou aos 14. Seu Dirceu, o pai, para evitar a desonra do nome da família falou com o Pastor, que falou com Tião (Nota: esse é outro Tião porque aquele não fala mais com os vivos. Pelo menos não nessa igreja) que falou com Chico Matador que falou com o rapaz que prontamente aceitou se casar. E assim nasceu Gabriela, uma coisinha linda, que aos 2 meses de idade é quem mantem toda a familia unida.
... FACAS E ESPADAS SE QUEBREM SEM O MEU CORPO TOCAR...
Fabi passeia com seu cãozinho pelo parque. O cãozinho, vai tão alegre, que fica difícil distinguir quem conduz a coleira. Pereira é motorista de ônibus. Ontem Pereira foi levar seu sobrinho para fazer teste no São Paulo. Incrível como essa gente insiste em nascer com talento. Clarice é manicure. Quando não tem cliente, Clarice se distrai lendo Dostoievski.
Marina foi viajar. João Alberto desistiu de lutar. Os médicos desconfiam que João Alberto não passe dessa noite. A enfermaria está lotada, mas Seu Betinho ouviu dizer que vai vagar um leito.
... CORDAS E CORRENTES ARREBENTEM SEM O MEU CORPO AMARRAR...
O que estas pseudo-pessoas possuem em comum? O fato de serem pessoas. E de serem humanas. O bem e o mal. E de viverem em sampa city, a cidade que constrói e destrói coisas belas. Cada pessoa uma história. Uma vida. Uma morte. E um intervalo de tempo entre essa vida e essa morte.
Para se conhecer, para se ter acesso... é preciso mergulhar no submundo da cidade. É preciso cortar na carne da cidade, olhar por baixo da pele, remexer, revirar. Histórias que a novela das 8 não conta. E que a gente não se cansa de esquecer. O que será que é mais importante do que a vida de cada pessoa? A pessoa é para o que nasce, já dizia o profeta.
Dia errado
Eles nasceram no dia errado.
E eh como se houvesse dia certo para se nascer.
Gemeos. Gemeos e negros. Negros e pobres.
E eh como se fosse diferente ser negro.
E eh como se fosse errado ser pobre.
Jonathan era calmo. Jonathas nem tanto.
Um era razao. O outro era sentimento.
Um era orgulho. O outro era vaidade.
E um pouco de ressentimento, que afinal de contas ninguem eh de ferro.
Um vivia em outro mundo. E o outro dizia que esse mundo nao presta. E o mundo onde o outro vivia prestava menos ainda.
Unidos pelo destino. Ligados pela aparencia. À sua imagem e semelhanca.
Vidas atadas pelas maos graciosas do destino.
Do pai pouco se soube (apenas que ele pouco se importou). Da mae so se disse que tudo fez, dentro do seu possivel.
Mas o possivel nem sempre nos basta. Amor de mae eh assim, uma coisinha que nao precisa explicar. So as maes sao felizes.
Eles cresceram no lugar errado.
E era como se fosse errado crescer.
Nota do editor: Boa parte da filosofia contemporanea tenta entender se o homem importa.
Ontologia. O ser enquanto ser. Aquilo que eh parte inerente a todo ser humano. E o que eh proprio de cada ser.
Tiremos da amostra aqueles que nao se importam. Deixemos o resto, eu, tu, ele, importamos?
Mudara em alguma coisa o fato de termos existido? Ou seremos simplesmente meros coadjuvantes nesse filme sem roteiro?
Somos fragmentos de um discurso amoroso. Letrinhas que se juntam para formar o texto da historia. Um texto que ninguem le. Eu, vc, Jonathan e Jonathas. Unidos unicamente pelo veiculo que nos conduz. Companheiros de carona neste planeta torto. Nada alem de uma ilusao.
Jonathan era das palavras. Jonathas era dos numeros.
Um desiludido. O outro tambem. Fotografia nua e crua de uma sociedade que nao deu certo. Como eu. E como vc.
O que mais me assusta eh saber que ta tudo errado e nao querer consertar. Reinventar, para usar a palavra da moda.
De amor, um morria e o outro matava. Confesso que ja nao sei bem quem era qual.
Se quem morria era o torto e quem matava era o certo.
Se um era solidao, o outro era amigo.
Se um era silencio, o outro era musica. Se de ambos o caminho era perdido, nao vou responder.
Mas a amargura de um homem se pode ver no olhar.
E nem adianta querer se importar.
Eles acordaram na hora errada.
E era assim como se houvesse hora certa para se acordar. E foi.
Ja nao sei mais separar. O bem e o mal habitam o mesmo ser. E voce so iria entender se tivesse reparado.
Porque no fundo a gente eh assim, meio fraco, meio bobo. Meio gente.
E como eu queria que cada J fosse uma vida...
Se um era perdido. O outro era perdido e meio.
Um queria poder. O outro queria poder ajudar.
Por que voce nao percebe? Por que voce nao foge?
Por que voce nao se encontra? Por que voce nem procura?
Tudo muito mais devagar, por favor. Porque daqui a pouco eh a gente quem passa.
Um bandido viu um, um policia viu o outro. Nao te falei que nao sei mais quem eh quem nessa historia?
3 tiros em um. 3 tiros no outro. Pois eh, o destino faz graca.
Nem precisa sofrer. A vida eh assim.
Eles morreram no dia errado.
E eh como se houvesse dia certo pra morrer.
Hoje nem eh feriado. Nada mudou. O sol se escondeu. A noite caiu. Um cachorro passou. O telefone tocou.
O relogio chorou. E o poeta aqui nao sou eu. Quanto sentimento...
A vida seguiu em frente.
E a gente dormiu bem tranquilo. Pouca coisa aqui importa, voce nao acha? E voce, sera que se importa?
NOTA 1:
Jonathan Swift nasceu em 30 de Novembro de 1667, em Dublin, na Irlanda.
Órfão de pai, com um ano de idade, é levado secretamente por sua ama para a Inglaterra e, após dois anos em
solo inglês, volta para Irlanda em virtude dos problemas políticos que ocorria no país.
Em 1725 começa escrever "Viagens de Gulliver" onde pretendia agredir o mundo (e não diverti-lo).
Em 19 de Outubro de 1745 morreu em Dublin, já completamente surdo e louco. Ele está enterrado
na Catedral de São Patrício. Em sua lápide, o epitáfio em latim, escrito por ele mesmo:
"Aqui jaz o corpo de JONATHAN SWIFT, doutor em Teologia e deão desta catedral, onde a colérica indignação não poderá mais dilacerar-lhe o coração. Segue passante, e imita, se puderes, esse que se consumiu até o extremo pela causa da Liberdade".
NOTA 2:
Jonathas Lopes dos Santos, de 20 anos, foi preso no bairro do Rangel/PB. Ele estava na moto Track, pertencente à vítima quando foi abordado por policiais. Segundo o tenente-coronel Marconi, ele planejava abandonar a moto em uma das ruas da favela do Citex, no bairro do Geisel, para em seguida fugir. Na casa de Jonathas, foram encontrados o revólver
calibre 38 e até mesmo a cápsula da bala usada para matar o estudante do Cefet.
O acusado confessou a participação no crime.
E eh como se houvesse dia certo para se nascer.
Gemeos. Gemeos e negros. Negros e pobres.
E eh como se fosse diferente ser negro.
E eh como se fosse errado ser pobre.
Jonathan era calmo. Jonathas nem tanto.
Um era razao. O outro era sentimento.
Um era orgulho. O outro era vaidade.
E um pouco de ressentimento, que afinal de contas ninguem eh de ferro.
Um vivia em outro mundo. E o outro dizia que esse mundo nao presta. E o mundo onde o outro vivia prestava menos ainda.
Unidos pelo destino. Ligados pela aparencia. À sua imagem e semelhanca.
Vidas atadas pelas maos graciosas do destino.
Do pai pouco se soube (apenas que ele pouco se importou). Da mae so se disse que tudo fez, dentro do seu possivel.
Mas o possivel nem sempre nos basta. Amor de mae eh assim, uma coisinha que nao precisa explicar. So as maes sao felizes.
Eles cresceram no lugar errado.
E era como se fosse errado crescer.
Nota do editor: Boa parte da filosofia contemporanea tenta entender se o homem importa.
Ontologia. O ser enquanto ser. Aquilo que eh parte inerente a todo ser humano. E o que eh proprio de cada ser.
Tiremos da amostra aqueles que nao se importam. Deixemos o resto, eu, tu, ele, importamos?
Mudara em alguma coisa o fato de termos existido? Ou seremos simplesmente meros coadjuvantes nesse filme sem roteiro?
Somos fragmentos de um discurso amoroso. Letrinhas que se juntam para formar o texto da historia. Um texto que ninguem le. Eu, vc, Jonathan e Jonathas. Unidos unicamente pelo veiculo que nos conduz. Companheiros de carona neste planeta torto. Nada alem de uma ilusao.
Jonathan era das palavras. Jonathas era dos numeros.
Um desiludido. O outro tambem. Fotografia nua e crua de uma sociedade que nao deu certo. Como eu. E como vc.
O que mais me assusta eh saber que ta tudo errado e nao querer consertar. Reinventar, para usar a palavra da moda.
De amor, um morria e o outro matava. Confesso que ja nao sei bem quem era qual.
Se quem morria era o torto e quem matava era o certo.
Se um era solidao, o outro era amigo.
Se um era silencio, o outro era musica. Se de ambos o caminho era perdido, nao vou responder.
Mas a amargura de um homem se pode ver no olhar.
E nem adianta querer se importar.
Eles acordaram na hora errada.
E era assim como se houvesse hora certa para se acordar. E foi.
Ja nao sei mais separar. O bem e o mal habitam o mesmo ser. E voce so iria entender se tivesse reparado.
Porque no fundo a gente eh assim, meio fraco, meio bobo. Meio gente.
E como eu queria que cada J fosse uma vida...
Se um era perdido. O outro era perdido e meio.
Um queria poder. O outro queria poder ajudar.
Por que voce nao percebe? Por que voce nao foge?
Por que voce nao se encontra? Por que voce nem procura?
Tudo muito mais devagar, por favor. Porque daqui a pouco eh a gente quem passa.
Um bandido viu um, um policia viu o outro. Nao te falei que nao sei mais quem eh quem nessa historia?
3 tiros em um. 3 tiros no outro. Pois eh, o destino faz graca.
Nem precisa sofrer. A vida eh assim.
Eles morreram no dia errado.
E eh como se houvesse dia certo pra morrer.
Hoje nem eh feriado. Nada mudou. O sol se escondeu. A noite caiu. Um cachorro passou. O telefone tocou.
O relogio chorou. E o poeta aqui nao sou eu. Quanto sentimento...
A vida seguiu em frente.
E a gente dormiu bem tranquilo. Pouca coisa aqui importa, voce nao acha? E voce, sera que se importa?
NOTA 1:
Jonathan Swift nasceu em 30 de Novembro de 1667, em Dublin, na Irlanda.
Órfão de pai, com um ano de idade, é levado secretamente por sua ama para a Inglaterra e, após dois anos em
solo inglês, volta para Irlanda em virtude dos problemas políticos que ocorria no país.
Em 1725 começa escrever "Viagens de Gulliver" onde pretendia agredir o mundo (e não diverti-lo).
Em 19 de Outubro de 1745 morreu em Dublin, já completamente surdo e louco. Ele está enterrado
na Catedral de São Patrício. Em sua lápide, o epitáfio em latim, escrito por ele mesmo:
"Aqui jaz o corpo de JONATHAN SWIFT, doutor em Teologia e deão desta catedral, onde a colérica indignação não poderá mais dilacerar-lhe o coração. Segue passante, e imita, se puderes, esse que se consumiu até o extremo pela causa da Liberdade".
NOTA 2:
Jonathas Lopes dos Santos, de 20 anos, foi preso no bairro do Rangel/PB. Ele estava na moto Track, pertencente à vítima quando foi abordado por policiais. Segundo o tenente-coronel Marconi, ele planejava abandonar a moto em uma das ruas da favela do Citex, no bairro do Geisel, para em seguida fugir. Na casa de Jonathas, foram encontrados o revólver
calibre 38 e até mesmo a cápsula da bala usada para matar o estudante do Cefet.
O acusado confessou a participação no crime.
Eutuele Nosvozeles
Eutuele, nosvozeles
Tava eu no meu carro curtindo um som maneiro no meu mp3 player:
"- Vai me enterrar na areia?
- Não, não. Vou te atolar!
- To ficando atoladinha, To ficando atoladinha..."
Representação máxima da cultura, ora dita de massa, que rege e norteia a nossa
vã filosofia, enquanto expressão dispéptica do brado retumbante de um povo heróico,
por assim dizer.
Isso tudo, quando, não mais que de repente (e o de repente é algo assim
que vem e pã, já é), olho pro lado e "me" vejo andando na calçada.
Não, caro leitor, não é figura de linguagem. Quando digo que "me" vi
na calçada é porque, de fato, havia eu visto a mim (euzinho, myself, a minha pessoa)
caminhando calmamente pela extremidade lateral do logradouro.
Parei o carro na hora. E esperei que eu passasse por mim. Acompanhando pelo retrovisor,
tive a certeza: era eu. Cara, a paradinha tava sinistra. Sinistra estava a paradinha.
Como é que eu posso estar me vendo?
Digo para você e para mims mesmos. Não sei. Só sei que era eu.
O mesmo eu. O cabelo. Os olhos. O nariz. A boca. A cor bege escura. O joelho zoado.
Eu, como se gêmeo eu fosse.
Aceitei a verdade absoluta de que eu já não mais estava sozinho neste mundo...
pelo menos não na minha mediocridade, já que agora havia um eu bem mais ou menos
a me acompanhar.
Chegando ao trabalho, tive vontade de falar com Deus.
Dois caminhos eu tinha, pensei eu (o eu religioso).
via Vaticano: http://www.vatican.va/phome_po.htm
ou
via Vigília dos 318 Pastores: http://www.arcauniversal.com/318pastores/index2.jsp
(cara, dá uma olhada na forma correta de se calcular o dízimo para os empresários).
Antes que eu me decidisse por qual caminho seguir, eu cheguei.
Sim, o outro eu sentou-se na baia ao lado e foi logo abrindo o notebook.
Confesso que fiquei ainda mais supreso do que da primeira vez que eu vi eu.
As pessoas passavam e davam "bons dias". Um para mim. E outro para eu.
Eu sei que vc já tá ficando entediado com essa confusão, mas vc precisava ouvir
eu falando ao telefone:
- Falar de mim é fácil, difícil é ser eu.
Concordei com ele. Ainda mais sabendo que eu era ele. Ops... ele era eu?
Tem momentos na vida em que tudo o que você mais deseja é ser você mesmo.
Aquele era um desses momentos. Nem mesmo a possibilidade de que aquele eu
assumisse o trabalho e que eu pudesse fugir para alguma praia distante
me convenceu. (convencEU?). O salário que eu ganho não daria para dividir com outro eu.
Filosofias à parte, só havia uma coisa naquele eu que me fazia ter certeza de
que aquele não era o verdadeiro eu. Faltava a ele uma alma. Faltava a ele uma
alegria de viver. Um sorriso gostoso. Uma amizade sincera. Um gesto de carinho.
Uma tranquilidade no olhar.
Faltava o gosto pela vida. E a lembrança dos desgostos dessa vida.
Faltava a ele um amor, uma paixão, um sonho que fosse, uma pontinha de esperança.
A certeza de que o amanhã não é outro dia. Faltava o eu menino. O eu poeta.
O eu profeta. O eu. O verdadeiro eu. A essência de todo e qualquer ser humano.
Aquilo que alguns chamam de dEUs. Outros nem chamam, porque não é preciso chamar.
Basta abrir os olhos. E pensar é estar doente dos olhos.
Parece que tudo nessa vida já foi dito. Que a vida é curta demais para ser pequena.
Que o amor que eu te dei não é coisa qualquer. Que amar se aprende amando.
Que o dinheiro não traz felicidade.
Que só as mães são felizes. Que o teu pai é o teu verdadeiro herói.
Que o Brasil é o país do futuro. Que o melhor conselho do mundo é usar protetor solar.
Que tem coisas que nem a poesia consegue explicar.
E que o meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim.
Eu não sei você, mas eu estou até agora me perguntando quando foi que
eu deixei de ser eu... para ser aquele outro cara.
Tava eu no meu carro curtindo um som maneiro no meu mp3 player:
"- Vai me enterrar na areia?
- Não, não. Vou te atolar!
- To ficando atoladinha, To ficando atoladinha..."
Representação máxima da cultura, ora dita de massa, que rege e norteia a nossa
vã filosofia, enquanto expressão dispéptica do brado retumbante de um povo heróico,
por assim dizer.
Isso tudo, quando, não mais que de repente (e o de repente é algo assim
que vem e pã, já é), olho pro lado e "me" vejo andando na calçada.
Não, caro leitor, não é figura de linguagem. Quando digo que "me" vi
na calçada é porque, de fato, havia eu visto a mim (euzinho, myself, a minha pessoa)
caminhando calmamente pela extremidade lateral do logradouro.
Parei o carro na hora. E esperei que eu passasse por mim. Acompanhando pelo retrovisor,
tive a certeza: era eu. Cara, a paradinha tava sinistra. Sinistra estava a paradinha.
Como é que eu posso estar me vendo?
Digo para você e para mims mesmos. Não sei. Só sei que era eu.
O mesmo eu. O cabelo. Os olhos. O nariz. A boca. A cor bege escura. O joelho zoado.
Eu, como se gêmeo eu fosse.
Aceitei a verdade absoluta de que eu já não mais estava sozinho neste mundo...
pelo menos não na minha mediocridade, já que agora havia um eu bem mais ou menos
a me acompanhar.
Chegando ao trabalho, tive vontade de falar com Deus.
Dois caminhos eu tinha, pensei eu (o eu religioso).
via Vaticano: http://www.vatican.va/phome_po.htm
ou
via Vigília dos 318 Pastores: http://www.arcauniversal.com/318pastores/index2.jsp
(cara, dá uma olhada na forma correta de se calcular o dízimo para os empresários).
Antes que eu me decidisse por qual caminho seguir, eu cheguei.
Sim, o outro eu sentou-se na baia ao lado e foi logo abrindo o notebook.
Confesso que fiquei ainda mais supreso do que da primeira vez que eu vi eu.
As pessoas passavam e davam "bons dias". Um para mim. E outro para eu.
Eu sei que vc já tá ficando entediado com essa confusão, mas vc precisava ouvir
eu falando ao telefone:
- Falar de mim é fácil, difícil é ser eu.
Concordei com ele. Ainda mais sabendo que eu era ele. Ops... ele era eu?
Tem momentos na vida em que tudo o que você mais deseja é ser você mesmo.
Aquele era um desses momentos. Nem mesmo a possibilidade de que aquele eu
assumisse o trabalho e que eu pudesse fugir para alguma praia distante
me convenceu. (convencEU?). O salário que eu ganho não daria para dividir com outro eu.
Filosofias à parte, só havia uma coisa naquele eu que me fazia ter certeza de
que aquele não era o verdadeiro eu. Faltava a ele uma alma. Faltava a ele uma
alegria de viver. Um sorriso gostoso. Uma amizade sincera. Um gesto de carinho.
Uma tranquilidade no olhar.
Faltava o gosto pela vida. E a lembrança dos desgostos dessa vida.
Faltava a ele um amor, uma paixão, um sonho que fosse, uma pontinha de esperança.
A certeza de que o amanhã não é outro dia. Faltava o eu menino. O eu poeta.
O eu profeta. O eu. O verdadeiro eu. A essência de todo e qualquer ser humano.
Aquilo que alguns chamam de dEUs. Outros nem chamam, porque não é preciso chamar.
Basta abrir os olhos. E pensar é estar doente dos olhos.
Parece que tudo nessa vida já foi dito. Que a vida é curta demais para ser pequena.
Que o amor que eu te dei não é coisa qualquer. Que amar se aprende amando.
Que o dinheiro não traz felicidade.
Que só as mães são felizes. Que o teu pai é o teu verdadeiro herói.
Que o Brasil é o país do futuro. Que o melhor conselho do mundo é usar protetor solar.
Que tem coisas que nem a poesia consegue explicar.
E que o meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim.
Eu não sei você, mas eu estou até agora me perguntando quando foi que
eu deixei de ser eu... para ser aquele outro cara.
O limite
O limite existe. É real e paupável. Ninguém me disse. Eu mesmo o toquei.
O limite entorpece, vicia, apaixona... É o limiar do abismo para onde
se encaminham os suicidas. E os amantes. Mata a si mesmo o ser que ama.
Passa a viver da coisa amada, no limite insuportável da razão.
Caminho passo a passo a procura de ti. Jamais te encontrarei. Eu bem sei,
pois tu já habitas meu corpo. Tua boca é paupável. Teu beijo, real.
Por esse caminho nunca passei. Distrai-me a paisagem. Confunde-me a percepção
do que ainda nao veio. Prossigo lentamente na direção oposta ao vento,
que sopra trazendo levas de pessoas normais. Eta vidinha besta - amanhã acaba.
Queres vir comigo? Enlouqueça. Faça da tua experiência humana o grande cenário
da tua loucura. Permita-me trazer-te ao meu mundo.
Adoro a melancolia dessa minha trajetória. Meu limite. Teu limite.
O limite entorpece, vicia, apaixona... É o limiar do abismo para onde
se encaminham os suicidas. E os amantes. Mata a si mesmo o ser que ama.
Passa a viver da coisa amada, no limite insuportável da razão.
Caminho passo a passo a procura de ti. Jamais te encontrarei. Eu bem sei,
pois tu já habitas meu corpo. Tua boca é paupável. Teu beijo, real.
Por esse caminho nunca passei. Distrai-me a paisagem. Confunde-me a percepção
do que ainda nao veio. Prossigo lentamente na direção oposta ao vento,
que sopra trazendo levas de pessoas normais. Eta vidinha besta - amanhã acaba.
Queres vir comigo? Enlouqueça. Faça da tua experiência humana o grande cenário
da tua loucura. Permita-me trazer-te ao meu mundo.
Adoro a melancolia dessa minha trajetória. Meu limite. Teu limite.
Mensagem aos pais - Formatura Turma 1993 USP São Carlos
A vocês, que me olham nos olhos quando falo,
que ouvem as minhas tristezas e neuroses com paciência e,
ainda que não compreendam, respeitam os meus sentimentos.
A vocês, que nesse mundo de céticos insistem em crer nessa
coisa misteriosa, desacreditada, quase impossível: a amizade.
A vocês, pelo dom maior de absterem-se de si mesmos por meus sonhos.
Por viverem em mim na certa medida: nem ausentes, nem presentes por demais -
sem se omitirem, sem forcarem minhas vontades.
A vocês, pelo amor dedicado, pelo carinho sincero, pela magia de me
dizerem verdades que eu não quero ouvir, pelo ensinamento maior de
que o importante nao é chegar, mas ter a coragem de ir.
A vocês, pais e amigos, mestres e cúmplices das minhas fantasias,
um pedacinho do meu especial momento. Nosso especial momento...
que ouvem as minhas tristezas e neuroses com paciência e,
ainda que não compreendam, respeitam os meus sentimentos.
A vocês, que nesse mundo de céticos insistem em crer nessa
coisa misteriosa, desacreditada, quase impossível: a amizade.
A vocês, pelo dom maior de absterem-se de si mesmos por meus sonhos.
Por viverem em mim na certa medida: nem ausentes, nem presentes por demais -
sem se omitirem, sem forcarem minhas vontades.
A vocês, pelo amor dedicado, pelo carinho sincero, pela magia de me
dizerem verdades que eu não quero ouvir, pelo ensinamento maior de
que o importante nao é chegar, mas ter a coragem de ir.
A vocês, pais e amigos, mestres e cúmplices das minhas fantasias,
um pedacinho do meu especial momento. Nosso especial momento...
mensagem para uma amiga triste
Tem dias que bate uma saudade
que parece que não cabe no peito
e você nem sabe direito
quem foi que apagou o sol.
Fica o dia tão cinza.
E o cinza é uma cor feia
Porque se fosse o cinza bonito
não teriam dado o nome de cinza.
Tem dias que a tristeza bate
e você não consegue sorrir
Mistura a dor e a lembrança
dos lugares que você nunca foi
dos amores que você não viveu
e do tempo que já passou.
Tem dias que ninguém te ouve
Tem dias que você não quer falar com ninguém
E tudo piora quando você percebe
que tem dias que ninguém te entende.
A vida fica sem graça
e uma lágrima insiste em brincar no seu olho.
É quando você fica mais sensível
e tudo te incomoda
É quando você se torna egoísta
a ponto de querer
que ninguém sinta a sua tristeza.
Portanto, pode tratando de se animar
Porque a saudade é minha
A tristeza também.
E hoje eu não vou dividir com ninguém.
que parece que não cabe no peito
e você nem sabe direito
quem foi que apagou o sol.
Fica o dia tão cinza.
E o cinza é uma cor feia
Porque se fosse o cinza bonito
não teriam dado o nome de cinza.
Tem dias que a tristeza bate
e você não consegue sorrir
Mistura a dor e a lembrança
dos lugares que você nunca foi
dos amores que você não viveu
e do tempo que já passou.
Tem dias que ninguém te ouve
Tem dias que você não quer falar com ninguém
E tudo piora quando você percebe
que tem dias que ninguém te entende.
A vida fica sem graça
e uma lágrima insiste em brincar no seu olho.
É quando você fica mais sensível
e tudo te incomoda
É quando você se torna egoísta
a ponto de querer
que ninguém sinta a sua tristeza.
Portanto, pode tratando de se animar
Porque a saudade é minha
A tristeza também.
E hoje eu não vou dividir com ninguém.
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