quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Memórias do amanhã

A biotecnologia vai criar um abismo ainda maior entre os mais ricos e os mais pobres. Os ricos se fecharão em condomínios cada vez mais seguros e exclusivos e isolados do resto dos mortais. Ricos viverão até 130 anos (ou mais).
A nanotecnologia vai habilitar esse upgrade.

A realidade virtual será o paradigma do entretenimento (como fazer um tour pela Rocinha  sem correr os riscos de viver na Rocinha). Algoritmos decidirão o q devemos (e não o q queremos) consumir. Na testa, o nosso índice de potencialidade digital. Eu queria ser jogador de futebol. Meu filho quer ser influencer (seja lá o q diabos isso for). Acho q vou perguntar a algum chatbot. E espero q algum drone me traga em mãos as respostas.

A inteligencia artificial vai retirar do mercado uma massa imensa de proletários e não saberemos o q fazer com essa nova classe dos sem utilidade. O Bolsa-familia será obrigatório p evitar um colapso generalizado dos desesperados (tipo Rio de Janeiro).
Sensorizados, muitos serão rastreados, mas poucos serão os escolhidos. A versão pós-moderna de Casa Grande & Senzala.

A guerra será por novas fontes de energia e a água será o bem mais valioso (somos o país com a maior reserva de água doce do Mundo).

A classe média fará o q sempre fez. Repetirá o mantra dos ricos, sem entender direito o q está dizendo, morrendo de medo de cair p a Série B da vida.

O Liberalismo triunfará, com os mercados aplaudindo de pé o enterro de Deus. Nietzsche avisou. Um brinde à Tecnorreligião do presente, mas não se esqueça da sua espiritualidade. Da jornada mais especificamente.

Enfim, Super-humanos! Mas poucos.
Darwin ensinou: o mais forte, sempre. Ao vencedor, as batatas.

O processo já começou. Vc percebe?

Num contexto desses, só a arte nos salvará. A poesia p despertar nossos sentimentos mais profundos, de amor, de solidariedade, de compaixão e de valorização da vida humana.

Poetas. Aqueles idiotas q nos fazem chorar, sorrir, nos indignar, resignificar o q não faz mais sentido e PENSAR.
Só restará a poesia dos poetas mais loucos e tolos. Incompreendidos até pelos seus pares, por viverem fora do seu tempo.

Não sei se será assim, melhor ou pior.
Mas espero q Raul Seixas, Belchior, Chico Science, Cazuza e Renato Russo nos salvem.
Amém.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Só, se vive

Ora, ora
Partir, andar 
eis q chegou minha hora 
Vou me embora
Deixo aqui a minha obra
Minha fé, minha loucura
Minha eterna procura  

Aqui não tem mais nada pra mim 
Sou assim 
Aprendi a sair antes do fim 
O ódio e o medo 
E a arte do desapego 
Vc não pode ver

Cidade cinza
Ideias ao vento 
Não julgo, mas lamento 
Viramos um parir p dentro 

Corre o sangue no asfalto 
Como corremos nós 
Sozinhos. E sós 
A imbecilidade nos tomou de assalto 

Era bela a nossa fantasia 
E ainda há quem finja alegria 
Seja noite ou seja dia 
Venceu a hipocrisia

Não se preocupe q nada me aconteceu 
Não morri, mas algo em mim morreu 
Qdo a lua cresce 
O meu peito se entristece 
Não sou de reza e nem de prece 
Essa vida aqui não me merece

Vem, vamos embora q esperar não é saber 
Não é vc, sou eu
A lágrima clara sobre a pele escura
E haja poesia
P se tentar chegar até o fim do dia

Só se vive uma vez 
Nem certo, nem errado 
Nem do santo, nem do pecado
Nem na vitória, nem na derrota 
Nem de vaidade ou de melancolia 
E logo eu q nem queria
A vida é todo dia 
Meu conselho p vc: 
só se vive uma vez
E sua vida será apenas 

aquilo q vc fez.

Human ou Eu por eu mesmo


Sou do tipo q lê a cidade. Mas só os muros dos poetas tortos. Sem medo e sem pressa. 
Sou do tipo q ouve conversa alheia. Mas só os trechos com poesia. Ou com graça. Q no final das contas é o q me interessa. 

Sou aquele tipo esquisito q perde tempo decifrando um olhar. Que está perdido a procurar. A noite. A lua. A rua. A alma vazia no espelho morto. 

Sou aquele que bebe uma cerveja sozinho. 
Ou uma garrafa de vinho. Q estou onde vc não está. Vc nunca vai me encontrar. Antes a ferida aberta q uma vida morna. Nenhuma mesmice me conforma. 

Don't put your blame on me. 

Me perdoa. Eu queria ser diferente. Queria parecer útil ou inteligente. Sou fútil e indigente. Teimo estar presente. 
Perdão por não saber perdoar. 
Perder o peso da culpa. Pagar o peso da carga. Cumprir a pena. A vida ensina. 
Perdoar. Perder o ar. 
Me perdoa. Q te perdoo. 

Mas não se esqueça. Q eu não me esqueço. 
"Viver é desenhar sem borracha". 
Li num muro qq ou numa mesa de bar. 
Esse é o preço. Perdoar!

E seguimos assim 
Mais leves
P esse nosso (tão breve) caminhar. 

Perdão. 
I'm only human after all. 
Don't put the blame on me. 

https://m.youtube.com/watch?v=L3wKzyIN1yk

A sua ausência

Gosto da sua presença. 
Gosto do seu gosto. 
Gosto do seu pescoço. 
Do seu ombro e do seu braço. 
Onde eu me encontro é no seu abraço. 
E me perco no seu cansaço. 

Gosto dos seus defeitos. É meu jeito. 
Gosto qdo me enrosco. 
Acho q me acho. Sinto q me escapo. 
E me encaixo. 

Se vc soubesse. Se vc quisesse. Se a gente pudesse. 
A vida não seria prece. 
A gente não teria pressa. 
Reza a lenda. Há quem creia. 
Mas não há ngm q me leia. 

Gosto qdo vc passa. Qdo vc foge. 
Qdo chega no de repente. 
Ou some no msm instante. 
Gosto amanhã. E ontem. Gosto hoje. 
Mas nem sempre. 

Segue a poesia na noite vazia. 
Sem taças nem festas. Nem nós. Nem nada. 
No pensamento! Foi assim q aprendi a gostar da nossa ausência. 


Paciência. 

Seu amigo improvável

Todo mundo tem um amigo improvável. 

Eu não sei explicar. Qdo vc precisa ele está lá. Uma amizade sincera simplesmente acontece. Eu disse simplesmente? 

Todo mundo tem um amigo q é do contra. Curte vinil e coleciona gibi. 
Fala de Che e come sushi. 
E qdo vc chora, ele ri. 
Vive num mundo q até eu já me esqueci. 

Todo mundo tem um amigo perfeito. 
Q é campeão de tudo. 
Q toma Sertralina 50mg, mas com moderação. Todo mundo tem. 
Q finge q tá bacana, mas q acabou a grana no meio do mês. 
Todo mundo tem um amigo ou dois. Ou três. E eu q só tenho vcs. 

Todo mundo tem um amigo q se perdeu. Q a vida deu errado ou q o erro foi seu. 
Todo mundo tem um amigo q sabe dançar. 
Q canta q toca q conta piada. Q é a companhia perfeita p uma cerveja gelada. 

Todo mundo tem um amigo q já "pixou" muro. Fumou maconha ou enlouqueceu. Todo mundo tem. Nem vem q não tem. 
Todo mundo tem um amigo q ouve sertanejo. Q joga xadrez. Q é crente ou descrente. Q é o resultado do q a vida fez. 
Q arruma briga. Q fala francês. 
Todo mundo tem. 

Todo mundo tem um amigo q enriqueceu. 
E outro q se fudeu. Tentou, tentou e não deu. Eu tb tenho um amigo q todo mundo tem. Q sofre calado ou q comemora. Q sabe ou não sabe q brincadeira tem hora. 

Todo mundo tem um amigo q foi embora, por certo, antes da hora. Q deixou uma saudade daquele tempo do ontem e q no hj  não aconteceu. 
Todo mundo tem um... pouco de medo da vida. Todo mundo tem um amigo como eu. 

Todo mundo tem um amigo q se acha escritor. E q  só escreve p esconder sua dor. 

Todo mundo tem um amigo. 

Improvável. 

Aquela criança que mora em mim

Acordei. 
Ainda meio atordoado pela noite passada. Meu wearable (que eu insisto em chamar de relógio...sorry, sou das antigas) detecta o fim do meu momento de desconexão c o mundo físico (q alguns chamam de dormir) e me informa as horas. É o tempo, andou mexendo com a gente sim. 

- Zhǔnbèi! (Pronto! P quem ainda não começou a aprender "Chinês"). 
A senha p uma série de sensores e atuadores serem acionados pelo meu assistente virtual. 
A água racionada p o meu banho é aquecida c o calor gerado no meu treino de 15k na esteira 2 dias atrás. A cafeteira se prepara p liberar meu café em 12 minutos. 

26/06/2021. Caraca, 50 anos. Algumas lembranças da noite passada. Os amigos. Nao sei pq Paulinho da Viola ainda canta na minha memória (Foi um rio que passou em minha vida). Vinil, uma das minhas excentricidades. Os vinhos compartilhados. Os cheiros. As sensações. Antes de sair da cama faço um download das minhas emoções. Meu cérebro é scaneado. E uma selfie mental é armazenada em alguma Cloud na Islândia. 
Banho e café tomados. A luz vermelha na porta indica q o último carro elétrico  disponível no condomínio foi utilizado. 

Terei q usar uma das bikes compartilhadas p ir ao trabalho. Mas não existe mais trabalho. Em 2018 me retirei da vida corporativa. O q faço hj é cuidar. Cuidar dos filhos da useless class. Q a tecnologia prometeu salvar. Mas o capital tinha outros planos. 
3 drones pairando no ar me indicam o caminho a não seguir. Quarteirão bloqueado por mais uma rebelião de refugiados digitais.  
Somos humanos ou máquinas? Francisco, el hombre. 
Em algumas escolas nao ha mais gentes. Nem professores rs. Os pais abastados enviam os avatares dos seus filhos p ambientes virtuais, onde a aprendizagem N x N virou o padrão. Aqui não. Crianças de 7 a 8 anos me aguardam p uma conversa sobre desintermediação usando blockchain e machine learning. Admirável mundo novo...

Nota do escritor: 
Nao sei se será assim ou quase isso. Nao sei se será passado ou breve futuro. Nao sei se veremos Blade Runners ou Soldados do Tráfico. Ambos indicarão q algo deu errado. 
Seja como for, comece a cuidar da sua lucidez. Desconecte-se vez ou outra. Quase sempre e todo dia. Repense seu conceito de felicidade humanista. Contemple mais, coma menos. Aprenda e ensine. Compartilhe. Respire. Viva a Arte! 

E não se desespere. Estamos perdidos, como sempre estivemos. Mas ainda haverá vida. Ainda haverá a criança. Nem q seja aquela q mora em mim. Só preciso encontrá-la. Essa é a minha única esperança. 

Quem sou eu p vc?

É mentira. Eu duvido. Não é verdade.
Não pode ser. Eu me nego a acreditar q dentro dessa noite se passaram 20 anos.
Foi um porre? Estávamos celebrando. Todos juntos. Rindo à toa. Ou chorando, não me lembro bem. Coisas da idade.

A gente era eterno, já dizia o poeta. E agora, esse cara q me olha do espelho não sou eu, já dizia a poetisa.

Algo aconteceu. Não sei bem o q. Vc sente o mesmo q eu? Creio q sim. Mas tenho certeza q não.
Não q tenha sido ruim. Pelo contrário. Tudo me foi melhor do q eu merecia. Mas pelo amor, sejamos justos. O tempo andou mexendo com a gente sim.

Fiz umas coisinhas aqui e ali. Nada q se mereça ressaltar. Mas naquele tempo eu era tudo. Tinha um nome q era só meu. Tinha amigos q não cabiam em meus sonhos. Com nomes e histórias e sonhos mais loucos q os meus.
Tinha um futuro brilhante e agora aqui. Na encruzilhada da vida, olhando p trás e p frente. Sem saber onde estou e como cheguei até aqui.

Quero vc. E quero a mim. De novo. E sempre e todo dia.
Quero de volta a minha poesia.
Q vc e só vc fingia q entendia. 
Mentira. Vc e eu nunca nos encontramos, senão nos medos q compartilhamos.
Sabíamos q a vida seria essa coisinha à toa, q fode os planos de qq pessoa.

Sou intenso, quando não morro eu penso.
Vida, tempo, coração, devolvam os diamantes q vcs me roubaram.
Pq isso aqui não sou eu.
Nem somos nós.
A gente ria de tudo e de todos.
A gente tinha coragem de ser exatamente o q a gente era: pedaços de uma ilusão q passou.
Q passará, cada vez q alguém se lembrar q Era uma vez um tempo da gente ser feliz.
E fomos!
Se vc não chorou ainda é pq já se esqueceu.   

Como foi q vc me conheceu?
To aqui, sentado à beira do descaminho, esperando vc me contar.
Quem sou eu p vc?

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Blockchain: Cooperação em Grande Escala

Eu não sei você, mas eu praticamente não existo logo cedo. Até às 10 da manhã (ok, cada um tem um conceito para “logo cedo”) tenho a nítida sensação de que apenas as minhas funções vitais estão mais ou menos em operação.
Sim, eu sou um animal noturno. Fico imaginando as vantagens e, especialmente, as desvantagens competitivas desse meu modo de ser caso eu vivesse no tempo das cavernas.
E dessa imaginação surgiu a pergunta: quais características permitiram que nós, os Homo Sapiens, conseguíssemos sobreviver diante de animais mais fortes, mais sensitivos e mais velozes? (e na maioria das vezes mais éticos também).

Recentemente, lendo o excelente “Homo Deus” do Yuval Noah Harari, aprendi que o que nos permitiu chegar até aqui foi a nossa capacidade de cooperação em grande escala. Ou seja, as ideias de cada indivíduo, em contato com as ideias de outros indivíduos e misturadas em grande escala, nos despertaram para um mundo novo repleto de aprendizados.
Como se esconder? Qual o melhor horário para caçar? Como fazer armadilhas ou escapar delas? Como fazer com que nossas crias tão mais frágeis sobrevivam?

Para haver a cooperação humana em grande escala foi necessário elaborar uma crença muito especial. Nós acreditamos em regras inventadas. O poder coletivo a serviço da sobrevivência da espécie. Esse liquidificador caótico de ideias era completamente descentralizado. O melhor ou o pior para a espécie era comprovado na prática.  Ideias boas, próxima fase. Ideias ruins, game over.

Por muitos anos temos acreditado em entidades centralizadoras, responsáveis pela manutenção da ordem e do bem-estar, cuja função principal tem sido regular as transações entre humanos. Acreditamos nos bancos para transações financeiras, nos tribunais eleitorais para o pleno exercício da Democracia, aceitamos cartórios, confiamos no aprendizado 1 para N, confiamos em órgãos governamentais. Dependemos de países e leis e julgadores. E tais entidades nos fizeram acreditar (ou nós é que decidimos aceitar) na dominação do homem pelo próprio homem. Recorremos a essas entidades porque não confiamos mais em nós mesmos. Tem sido assim ao longo dos tempos.

Não mais.
Todas essas entidades são fictícias, intersubjetivas, e só existem no nosso imaginário. Países, marcas, autoridades. Existem porque acreditamos e confiamos nelas. Mas, no limite, todas as transações, sejam elas financeiras ou de qualquer outra natureza, são realizadas entre humanos. Pelo menos por enquanto.

Por um momento imagine você que houvesse uma forma de trazermos confiança para regular as transações entre os humanos sem dependermos de um intermediário “confiável”. Um sistema à prova de mentiras e trapaças. Poderíamos cooperar em grande escala em benefício de uma sociedade mais justa, entre nós humanos, entre nós e os outros seres e, sobretudo, entre nós e o planeta em que habitamos.

O nome do que estamos aqui imaginando é Blockchain. A tecnologia por trás do Bitcoin. Trata-se de uma plataforma descentralizada para validação e registro de transações. Um grande livro razão mantido por uma rede de computadores que armazena cópias sincronizadas de todas as transações validadas. Que pode ser consultado, mas jamais alterado.
A característica fundamental dessa plataforma é não ser centralizada, ou seja, não ter um dono, um ponto central de comando, evitando que se tenha também um ponto único de falha. 
São os participantes dessa rede que, de forma colaborativa ou até mesmo competitiva, garantem a autenticidade das transações que serão registradas. A transferência de propriedade de um bem, seu voto, sua identidade e a autenticidade das suas criações.
Cada participante da rede dá a sua contribuição. A soma de todos esses pequenos grandes esforços é o que torna o modelo especial. Cooperativo em grande escala.  
O que nos torna mais adaptáveis é nossa capacidade de nos conectarmos. E conectados, podemos compartilhar conhecimento. Bem vindos à era do conhecimento exponencial. 

Podemos ter Blockchains públicos, onde qualquer pessoa anonimamente consegue participar. Podemos ter Blockchain privados, onde parceiros de negócio de uma determinada rede só podem participar após serem autorizados. Ou até mesmo Blockchains híbridos. Tudo dependerá do que, enfim, nós acreditarmos.

Aterrissando do mundo dos sonhos para o mundo real dos negócios, grandes perspectivas se abrem a partir dessa visão. Desde novas formas de pagamento sem intermediários até o pleno acompanhamento do ciclo de vida de um produto desde o seu nascimento até o descarte final. Novas formas disruptivas de negócio baseadas em confiança, como disponibilização de microcrédito para quem necessita ou a efetiva consolidação do trabalho de cooperativas. Ou seja, a valorização dos seres humanos em sua essência.

No próximo artigo exploraremos um pouco mais o que já vem sendo feito com Blockchain na prática, desafios computacionais a serem superados e especialmente possibilidades reais de uso.

Países são abstrações. São entidades fictícias.
E países não mudam. 
Mas Blockchain tem o poder de transformar as relações entre as pessoas trazendo confiança sem a necessidade de intermediários. Isso mesmo, transformar as relações entre as pessoas.
E pessoas transformadas... pessoas transformadas mudam países. Basta que elas acreditem nisso.