sexta-feira, 14 de julho de 2017

A noite da sua ausência

Gosto da sua presença. 
Gosto do seu gosto. 
Gosto do seu pescoço. 
Do seu ombro e do seu braço. 
Onde eu me encontro é no seu abraço. 
E me perco no seu cansaço. 

Gosto dos seus defeitos. É meu jeito. 
Gosto qdo me enrosco. 
Acho q me acho. Sinto q me escapo. 
E me encaixo. 
Se vc soubesse. Se vc quisesse. Se a gente pudesse. 
A vida não seria prece. 
A gente não teria pressa. 
Reza a lenda. Há quem creia. 
Mas não há ngm q me leia. 

Gosto qdo vc passa. Qdo vc foge. 
Qdo chega no de repente. 
Ou some no msm instante. 
Gosto amanhã. E ontem. Gosto hoje. 
Mas nem sempre. 

Segue a poesia na noite vazia. 
Sem taças nem festas. Nem nós. Nem nada. 
No pensamento. 
Foi assim q aprendi a gostar da nossa ausência. 
Paciência. 

Tributo a Belchior

Fecham-se as cortinas do espetáculo. Apaga-se o som. Apaga-se o som e a poesia. Foi-se Belchior. Assim. Sem alarde. Ficamos nós um pouco mais órfãos. 
Órfãos de inteligência. 
O país perde um de seus maiores gênios. Meus deus, nesse momento de imbecilidades, a gente não precisava perder o poeta. A maioria nem perceberá. Nem se dará conta. Ficamos mais burros. E temos constantemente ficado mais burros. 
Raul era a loucura, com seus versos tortos e sua poesia da alma. A alma, a alma é aquela coisa q nos pergunta se a alma existe, como diria Quintana. 
Belchior era a razão. Aquela força q nos alerta q estamos todos perdidos e está errada a direção. Louco, mas com os pés no chão. A síntese de uma geração. 
Ngm, absolutamente ninguém (nem Chico, nem Veloso, nem Renato, nem Cazuza) conseguiu desnudar a nossa condição: somos os mesmos e vivemos como os nossos pais. 
Ah não. Pra mim é pouco. Meu bem a vida inteira está naquela estrada ali em frente. E meu coração selvagem tem essa pressa de viver. 
Não, minha jovem, não leve flores p a cova do inimigo. Pois o nosso pERfeito vai jogá-las no chão. Vivemos tempos ocos. Vazios. Sem Loucura e sem Razão. Sem esperança e nem expectativa de q novos dias virão. Desculpem o mau jeito, mas fracassou a minha geração. 
Eu não estou interessado em nenhuma teoria em nenhuma fantasia nem no algo mais. Nem em tinta pro meu rosto (quem pinta o rosto é índio p guerra ou palhaço de profissão, e esses eu respeito). Meu delírio é a experiência com coisas reais. 
Foi-se embora o pensar. O contraditório. Q é p isso q o pensador serve: p nos tirar da mediocridade desses nossos dias. No fim veremos q fomos meros fantoches na mão Esquerda e na mão Direita do Deus Capital. Ou vai vc dizer q não?
Sobreviva e salve os seus. Q o resto é tudo em vão. 
Ao final de um show fomos conversar c ele: 
- Faltou aquela. 
- Faltaram várias, pouco tempo p tanta emoção. 
Sempre c aquele sorriso aberto e calmo q escondia a dor daqueles q pensam. E quem pensa, vive na solidão. 
Q Baleiro e Criolo nos salvem! 
Pois o passado é uma roupa q não nos serve mais. E precisamos todos rejuvenescer. 
Já não me importa se vai ter greve ou não. Se vai ser preso ou não. Se vou me aposentar aos 70 ou não.  Eu sou como vc (só q não). 
Desesperadamente eu grito em português: Foda-se! 
Eu ainda sou bem moço p tanta tristeza. Deixemos de coisa e cuidemos da vida. Senão chega a morte ou coisa parecida. E nos arrasta moço, sem ter visto a vida.  
Pois é. Sempre é dia de ironia no meu coração. Adeus. 

Só os filhos são felizes

Nunca entendi pq minha mãe escolhia sempre os piores bombons da caixa. Q sorte a minha. 
Nunca entendi pq minha mãe esperava sempre eu parar de comer. P comer o q sobrava, ou seja, aquilo q eu não gostava. O  q ficava na panela ela deixava p o meu pai, q de certa forma era o outro filho dela. Q sorte a nossa. 
Nunca entendi pq tanta pergunta: aonde vai? Com quem?  Q hrs volta? 
Leva blusa! E o guarda-chuva. Me liga! Nunca entendi pq tanto amor. 
E logo eu q não merecia. 
Nunca entendi tb pq tanta dor. 
Nunca entendi pq nos piores momentos eu sempre sabia p onde correr. O colo. O abraço. E as chineladas. Os gritos sem razão. Minha preferida atriz de novela mexicana. Qto drama!
Nunca entendi como é q ela achava. Perdi meu caderno. E a camisa preferida usada na semana passada. Não dorme nunca. Sempre preocupada. 
O café da manhã de madrugada. A farda engomada. E a cama arrumada. 
Aí foi só arrumar a mala. E sair de casa. 
Mãe, vou pra vida. Tenho sonhos demais e a culpa é sua. 
Nunca entendi bem essa coisa da vida. Q eu acho meio errada. Já não me lembro do dia exato em q desisti de deus. Deus não existe. Ele insiste em levar as mães. E isso é imperdoável. Ninguém merece viver um pedaço dessa vida sem uma mãe. À medida em q meu tempo acaba, me desespero. Fica comigo, por favor. Não me abandona. Q a vida não nos separe. 
Pq a sorte é minha. Q sorte a minha ter te escolhido. Pois só os filhos são felizes. 

Dorme Princesa

Dorme dorme princesa
La fora a chuva lava a alma dos infelizes
Fora a chuva dos desalmados 
Dorme princesa 
Q a morte é uma coisinha à toa 
Na vida de qq pessoa 
Corre criança corre 
Q a dor nos ensina
Q destino não é sina 
Nem é sorte 
Nem tão fraco nem tão forte
Sou meio assim assim 
Vivo flertando com o fim  
Eu levo a alma leve. A arma. 
Não me levo tão a sério
Mistério
A miséria nossa de cada dia 
Sorria
Dorme tristeza dorme
Pronto. E já é hj. E hj eu morri.

O meu tempo e o vento

Sempre gostei de olhar o vento. 
Nem sei se é aquela preocupação intrínseca de aproveitar o momento. 
Talvez seja algo assim, menos filosófico. Nem poético, nem apocalíptico. Eu nunca morro numa quinta-feira. Morro sempre do domingo p segunda. 
Mas estar ali sem pensar. Longe da praia, mas vendo o mar. Nossas neuroses. Nossas frustrações. Nossa vida moderna que a gente aprende nas televisões. 
Sempre gostei de imaginar de onde eu vim e pra onde eu vou. Mas nunca achei uma resposta, caro leitor. É meio assim como enxugar gelo. Ou como tentar correr no meio de um pesadelo.  
O mais feliz dos homens não deve ter perdido seus momentos pensando em vão. Danço eu, dança vc, na dança da solidão. 
Que saudade q eu sinto dos dias q eu não vivi. 
Fecha o farol. Abre o farol. O carro ao meu lado não se move. Vc é inocente até q o contrário se prove. 
Nenhum crime me comove. 
Sempre gostei de contar estrelas. De  ser astronauta de cometas. De viajar pelo belo horizonte. Sem amanhã, nem ontem. Vivo perseguido pelos meus demônios. Atormentado pelo juízo final. Mas quem sou eu, afinal?
Não sei se minha poesia é rasa ou profunda. Se te interessa o meu desespero. Se passa olhos por essas tristes letras. Ou se me descarta sem ao menos lê-las. 
Sempre gostei de olhar vc. Com seus domínios e suas certezas. Fingindo não ver o q o coração sente. A vida é uma coisa tola. 
Sempre gostei de olhar no olho. Nem sempre era eu nesse caminho torto. A gente faz o q pode p sobreviver. Dias intensos e dias comuns. Dias de glória p os mortais. Sejam eles apenas aqueles invisíveis andarilhos dessas capitais. 
Será q vc já percebeu? 
Onde está meu público? 
Eu preciso ser eu. 
Cada vez q eu olho lá fora,  
Ou aqui dentro de mim, 
Me vem sempre uma canção. 
O tempo andou mexendo com a gente sim. 
O tempo é o nosso bem mais precioso. 
Como vc gastou seu tempo hj? 
Como investirá seu tempo amanhã?
É a única curiosidade sincera q eu tenho. Quer compartilhar um vinho
comigo? Não me leve a sério, mas acredite em mim.
O tempo andou mexendo com a gente sim. 

Notas do país esperança

Vamos falar de esperança? 
A esperança é aquele vento q dança 
Aquela criança
Q vai e q vem 
E q nos mantém 
Sobretudo, vivos!

Aceite esse conselho meu 
Das minhas escolhas cuido eu 
Se viver é em vão 
Eu to sempre correndo em outra direção

Nessa guerra do noticiário 
Vc já virou soldado 
Joga tanta pedra q não percebe 
Q qq hora 
uma dessas pedras acaba acertando o seu próprio telhado 
Quem é q não carrega la o seu pecado? 

Vamos falar das suas conquistas? 
Eu tenho em mim um grande defeito 
(Tenho vários) 
Não sei pq... é meu jeito 
Tenho uma enorme dificuldade 
Em aceitar calado 
Q a culpa pelos meus fracassos 
Seja de uma só pessoa 
Seja ela quem for 
Num palácio qualquer 
De um planalto distante
Não acredito q minha vida vá à reboque 
De qq governo ou de qq plano
Não transfiro a nenhum partido
A responsabilidade pela minha felicidade
Já é hora
Assuma a beleza ou a agonia 
Dos seus dias
Vc é exatamente o q pensa

Vamos falar de amor? 
Pq de dor já falam por nós 
Nas manchetes dos jornais nacionais
Tá na capa daquela revista 
Mas eu te peço hj insista 
Naquele seu sonho banal 
Naquilo q te motiva 
Não é o fim do mundo 
É apenas a nossa adolescência 
Enquanto povo, enquanto nação

Vamos falar da paz? 
Daquilo q vc faz 
Vc q hj só reclama 
Me diz, qual é a sua parcela de culpa 
Nessa sociedade infeliz? 

Vamos falar de gente q faz? 
De música ou de arte? 
Vamos falar da nossa imensa alegria 
De estarmos vivos e livres
De sermos donos incontestes 
Soberanos da nossa plena existência. 
Esse é o preço por vc ter nascido. 

Já chega de reclamar
Não nos falta nada. 
Só nos falta poesia. 


 

O meu castigo

Tem algo em mim q quer falar. 
Da lua e da rua. 
Da alma nua. 
Da calma sua. 
Tem uma parte de mim q quer saber 
Do seu sofrer. 
Q quer crer. 
E logo eu q não creio. 
Receio. 
Algo q quer correr 
Pelas estradas. E pelos caminhos do meu deus. E logo eu q não creio. 
Um pedaço de mim quer um adeus. 
Ha algo assim q quer dizer 
O q a vida é. E o q somos. 
Algo q quer acreditar 
No q não me convém. 
E nem me convence. 
A gente sempre a imaginar 
A vida. E o barulho do mar. 
A bailar pelo ar 
Imperfeita emoção. Comoção. 
Poetas na arte do improvisar. 
Sabe, tem algo em ti q me interessa. 
E não é a sua pressa. 
É a cor do seu olhar. 
Algo q vc sente ou esconde. 
O q vc deixou e não sabe onde. 
Tem algo entre as gentes 
Q só quem perde um tempo 
Consegue perceber. 
Em quantas janelas abertas 
Nessa noite fria e escura 
Há sonho e loucura? 
Pois passar por aqui 
sem ao menos experimentar 
O doce e o salgado, 
O certo e o errado, 
O permitido e o proibido, 
O estúpido cupido,
O copo e o trago 
E o estrago. 
A mais completa alegria. 
Hj é dia. Amanhã eu me esqueço. 
Me parece uma imensa bobagem. 
Se o q a vida espera de nós 
É coragem, 
O q a gente espera da vida? Miragem. 
Há algo em mim q quer calar. 
Não encontrei o meu público
Já me perdi do meu povo.  
De novo. 
Há algo a me sussurrar 
Não fica assim não 
Para de pensar 
Q pensando a gente não chega 
A nenhum lugar. 
Há algo na gente 
Q me faz esperar 
Um grito
Um gemido 
Uma promessa 
Uma festa 
Há algo em mim q sabe
Q por onde eu ando 
Vc nunca vai passar. 

"Acha que a sua indiferença 
vai acabar comigo?
Eu sobrevivo, eu sobrevivo
A solidão vai ser o seu castigo"

Todo mundo tem um pouco de medo da vida. 
Todo mundo tem um plano 
E um filho 
Um delírio. 
Ou um ultimo tiro. 
Uma chance 
e a respectiva revanche. 
Todo mundo sabe o q tem p dizer 
Mas ninguém quer ouvir. 
E como vamos?
Vamos viviendo 
viendo las horas que van pasando...
Metade de mim só quer sorrir. 
E a outra metade também. 
A solidão vai ser o meu castigo. 

AssimFalouR3. 




5 reais

Nao q eu queira. Nem q eu goste. 
Mas eu preciso me falar. 
Nao ha nada q me obrigue. 
Nem nada q me faça calar. 
Nao concordo e nem desconcordo. 
Mas fico em mim a observar 
As mulheres da minha vida 
q insistem em me acompanhar: 
a tristeza, a saudade, a dor e a solidão. 
Hj eu sou só emoção. 
Acredite vc ou não. 

Triste eu sou e não tem jeito q me faça aceitar. A vida como ela é 
Tá errada e não dá p consertar. 
A saudade vem brincar 
Na noite fria a sussurrar 
Q somos todos reféns
Do jogo do seu olhar. 
Haja dor p quem ousar 
ser aquilo q se é. 
Poeta, doido ou menino,
Louco são ou varrido, 
Maluco, velho ou profeta. 
Vejo coisas q as pessoas jogam fora só p a vida não ter tempo 
de atrapalhar. 
E a solidão de minha alma 
é o q me faz respirar. 

As mulheres de minha vida. 
A tristeza, a saudade, a dor e a 
solidão. 

Talvez vc não entenda 
O q eu quero expressar 
Meio eu meio erro
Tudo assim 
meio fora de lugar 

Fui o meu sonho mais perfeito 
Pq eu era do meu jeito 
Tinha um plano e um sonho 
E uma poesia no olhar 

Veio vc, vida minha, so p me mostrar 
As longas curvas do seu corpo 
(e há tantas curvas q a vida dá)
Moça linda de sorriso discreto 
De cabelo curtinho e de belo caminhar 
(E quem há de entender os caminhos q a vida dá)

Como estamos perdidos. 
Como estamos feridos. 
Pq deixamos as coisas 
Tomarem o nosso lugar. 

4 mulheres da minha vida. 
4 razões p pensar: 
Tristeza, saudade, dor, solidão 

Ninguém nesse mundo torto entende 
aonde quero chegar. 
4... 4... 
É hora de improvisar. 

"Somos todos iguais nesta noite
Na frieza de um riso pintado
Na certeza de um sonho acabado
É o circo de novo". 
Ei bola, nosso amor me faz uma falta. A certeza de um sonho acabado. 
O q esperamos da vida não importa. Mas o q a vida espera de nós?

It's Too Late by Carole King

Quanto vale um ser humano?
Quanto vc acha q vale, caro leitor?
Como se mede o valor de uma pessoa? 
É o q ela gera de riqueza? Ou o qto de pobreza ela alivia? 
Na calada da noite. Ou no raiar do dia. 
Qdo ngm está vendo. Ou qdo ngm está à venda. 
Vc só quer saber 
Qdo q eu vou 
Trocar meu carro novo 
por um novo carro novo, meu amor.
Ao longo de nossa pobre existência nos deparamos com gente tão pobre, mas tão pobre, q a única coisa q tem é dinheiro. 
Mas qto vale uma vida? 
Qto te pagam pelo seu trabalho? E pelo seu silêncio? 
Por quanto vc se vende? Se é q vc me entende. 
Na capa da revista 
Ou na propaganda enganosa 
No horário político 
Ou para ser assim pacífico  
Patético, medíocre 
O q te compra? E o q te comove?
É só pelo dinheiro? Ou é por inteiro? 
Capitalista, socialista, anarquista 
Iludido ou dissimulado 
Sóbrio ou embriagado 
Referência ou desprestigiado
Feliz ou remediado. 
O q vc faz com o capital q vc não tem é o q me interessa essa noite.  
Seus sonhos. Seus medos. Seus enredos. A história de uma vida. Ou a mais perfeita agonia. A falta de uma alegria. A sua fatia. 
A roupa q camufla sua alma. Tem marca? Ou tá na garantia? 
A garrafa q te alivia 
É de pinga, de malte ou de vinho? 
Acompanhado ou sozinho. 
Qto vc vale? Não importa. 
Para quem vc vale? É o q me conforta. 
O q fizemos c as nossas crianças? 
Eu q já não tenho mais esperança. 
Não me siga. Não me like. Não me poste. Não me mande. Nem me creia. Q a crença virou um negócio. 
Não me perca. Não me odeie. Não me venere. Q venerar é uma ofensa. 
Não me pense. Não concorde. Não me compartilhe. Não me satisfaça. 
To por aí achando q a gente devia se ver. Q a vida é um sopro. Passa e acabou. A gente não vale nada. 
Hj um senhor me pediu um trocado. 
P lavar o meu carro.
Por falta de uma moeda 
Eu dei cincoreais. 
Hj a vida de um ser humano me valeu cincoreais. 
Não quero luxo nem lixo
Meu sonho é ser imortal. 













Saudades do tempo do nunca

Saudade do tempo em q a gente se via. 
Os contatos reais. E verdadeiros. 
Sinto falta das  imitações q a gente fazia. 
E dos apelidos q a gente se dava. 
Cada qual com sua dor devidamente escondida, 
Mas q não sobrevivia 
À primeira risada. 
O mundo era de fantasia. E era apenas o q a gente queria.  

Saudade do jeito q a gente vivia. 
Com as neuroses normais da nossa idade. Mas só as da nossa idade. 
Saudade da nossa cidade. 
E até saudade da necessidade 
De estar perto e junto. 

Vontade de ser amigo. 
De ter a palavra certa pras horas erradas. 
De dividir a conta. E um conto. 
De pegar aquele cineminha. 
Ou caminhar por aí. 
Vontade de ficar em silêncio 
Só p ver a vida passar. 

Conta aí como foi, como vai. 
Fala com a boca e com os olhos. 
Q com os dedos eu não quero mais. 
Me xinga, me briga, me busca. 
Que um abraço é o melhor lugar 
P gente se reencontrar. 

Sem carinhas, mas com caretas. 
Já chega de selfies e posts e whats. 
E mails e mensagens e escaipes.
Doenças da nossa geração. 
Saudade da sua presença. 
Saudade do tempo em a gente era criança. 
A vida não passava na tela 
A vida era uma aquarela 
E a gente sabia pintar. 

Saudade de ouvir sua voz 
Vc cortou o cabelo? 
Vc já se olhou no espelho? 
Pintou a unha de preto ou de vermelho? 
Te contei q meu joelho estragou? 
To lendo um livro daquele escritor. 
Onde estão os brincos q eu te dei? 
Ficavam perfeitos em ti 
Mas só quando o cabelo escondia. 
Preocupa não tiazinha 
Vc ainda tá ajeitada. 
Parece q eu posso ver 
Mais uma das suas risadas. 

Então tá combinado. 
Nem eu te ligo, nem vc me telefona. 
E de repente a gente se encontra. 
Preocupa não. 
Vc sabe q eu sou assim. 
Todo palhaço é triste no fim. 
Vai ver é coisa da idade e passa. 
Só a saudade não passa
A sua presença em mim. 
Só. 

Da série Assim falou R3, direto do bloco de notas do meu Aifone.