segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O homem que nunca morreu

Senhor, há um erro aqui!
Onde?
Aqui. Olha só... data de nascimento... 1791! Os números estão invertidos. rs
(Nota do Editor: não há um erro aqui. há milhões de erros aqui)
Não. Está correto.
Como assim?
Isso mesmo. Nasci em 1791.
silêncio. (como seria o som do silêncio? como podemos representar o silêncio? uma praia deserta? não. ainda haveria o barulho do mar. o pico de uma montanha? humm não. ainda haveria o barulho do vento. o homem sonha monumentos, mas só ruínas semeia - para a pousada dos ventos. mas isso é uma outra história. não entra aqui. nesses tempos, o silêncio é o avesso do carnaval. pronto. fica decretado que o silêncio é um carnaval, mas ao contrário) (o excesso de gente me impede de ver as pessoas)
Como o senhor nasceu em 1791 e continua vivo? (com uma certa ironia na voz)
Porque eu sou o homem que nunca morreu.
Não pode ser...
A morte se esqueceu de mim. Ou fui eu que me esqueci dela.
E como é ser o homem que nunca morreu? (ironia se transforma em curiosidade)
Bom, é ruim. Em termos. Eu sou o único da minha geração que não sabe o verdadeiro significado da vida.
Na minha geração também parece que ninguém sabe... (curiosidade se transforma em resignação)
Ninguém jamais saberá (anjos, demônios ou poetas). Pelo menos até morrer, ninguém poderá sabê-lo.
E se ao morrer a gente descobrir que não tinha significado? risos (pq será que alguns riem diante da incerteza?)
Isso por si só já será um significado.

É.
pausa. (pq quem pensa, pensa melhor parado)
O senhor preferia ter morrido?
Eu nunca vou morrer.
Como sabe?
Porque eu sou o homem que nunca morreu pq aprendeu como não se morre.

(pensa na cena)

Você não morre se se permitir morrer todo dia um pouquinho. Mas com a condição de ressuscitar devagarzinho pela manhã.
A morte é o dormir.
O céu é o sonho.
O inferno é o pesadelo. (ou versa vice)
E a vida é acordar.

E a insônia? (já impaciente)
A insônia sou eu. Eu que nunca morri. Mas isso está além da nossa compreensão entre o dormir e o acordar. [além do bem e do mal]
Você não morre se jogar fora as suas convicções... jogar fora seus pecados, seus desejos, seus amores, seus discos e livros e poesias. Seus dinheiros, suas vaidades e sentenças. Sua beleza. Seus dilemas, falsos ou verdadeiros. Seus luxos. Seus aminimigos.
Seu tempo. Sua vida.
A vida é repetição. Você não morre se aprender a trocar suas escolhas.
Você não morre se mudar de cidade, de estado, de país. Se mudar de idioma.
Se mudar de time (Nota do editor: essa frase está sob júdice e será retirada da versão final por estar em desacordo com a teoria do [Amor Fati])

(será que alguém lê até aqui?
Receita para Bolo de Banana
1 banana
1 kg de farinha
1 kg de açúcar em pó
pronto)

Acho sinceramente que te entendi.
Você só morre se... parar...
Esperava algo mais profundo? O [Super-Humano] é simples. Apenas aprendeu a dominar a [Vontade de Poder].
Tudo é percepção. E para perceber é preciso [Transvalorar os Valores]

Mas quem é você afinal?

Eu sou você. Você que nunca morreu.
Eu sou o mundo inteiro. Hoje.

(chega um tempo em que a vida é uma ordem. a vida apenas - sem mistificações)

Em tempo: 1971. junho. 26


assim falou r3. forma e conteúdo. se quiser entender a forma, me deixe um email. o conteúdo eu só sei explicar desse jeito.