já passa da meia-noite.
lá fora as pessoas de bem insistem em atrofiar o cérebro hipnotizadas com a TV
como insetos em torno da luz.
cada um que carregue sua cruz.
tem gente que prefere dormir.
nunca entendi essa gente que dorme cedo.
pra mim a noite sempre foi a parte mais interessante do dia.
como o disfarce do super-herói que só se revela quando ninguém vê.
o mundo está ao contrário e ninguém reparou.
ok, eu não sou desse mundo.
ah esse mundo doido que a gente vive.
fazer dinheiro p pagar imposto. fazer mais dinheiro p pagar mais mais imposto.
desgosto.
já reparou o tanto de coisa que a gente paga e não precisa?
TV a cabo (acabo de entrar p solidão, acabo).
Carro. Manobrista. Flanelinha. Zona azul.
Apartamento. apertamento. com vista para o mar. mar de prédios.
onde pessoas infelizes constroem suas famílias perfeitas.
com direito a cachorro, gato e papagaio.
sempre achei que papagaio acha um saco isso de ficar repetindo o que ouve.
e a gente virou papagaio das notícias que alguém decidiu que a gente devia ler.
ah esse mundo doido que a gente vive.
vc aprendeu que o certo é certo e hoje vive com medo de criança na rua.
vacila prá ver se a criança com um 38itão na mão não fura vc.
pq deus é quem mata. as balas só faz os furo.
criamos uma sociedade de merda.
onde a regra é ostentar o q se tem e não sublimar o que se é.
tudo é propaganda. tudo é comprar. tudo é descartável.
até vc, no seu emprego perfeito.
chegará um dia em que vc perceberá q esse seu trabalho chato não te trouxe alegria.
e a vida passou.
e vc será velho demais p o seu emprego. perfeito.
precisamos consumir o q não precisamos.
é celular, moda, creme anti-rugas, escova de dentes elétrica.
eu é q não me sento no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar.
ah esse mundo doido que a gente vive.
qdo foi a última vez q vc enviou uma carta? um cartão de natal escrito à mão?
qdo foi q vc deu parabéns e um abraço sincero?
qdo foi a última vez q vc deu beijo apaixonado?
q vc perdeu 5 minutos p dizer ao próximo q a vida vai melhorar?
qdo foi q vc se tornou essa pessoa patética, estática, neurótica, conformista, cafona, medrosa, distante, ausente, carente e socialmente absolutamente inteligente?
era isso q vc queria? ser prisioneiro na sua própria cidade?
queimaram mais um ônibus. ou mais uma dentista. tanto faz. os dias são iguais.
mais uma briga de torcida. mais um apagão. mais uma coligação. mais uma tramoia. mais uma mamata. mais um magnata. menos uma ilusão.
a culpa é do governo, é claro. fio, é vc quem governa sua vida.
ah essa porra de mundo doido que a gente vive.
vem comigo.
vamos tomar uma gelada no boteco da esquina.
me ensina.
vamos ver a vida.
vamos sorrir e brincar e bailar como crianças das nossas próprias invenções.
vem comigo. corre perigo.
vamos resgatar aquele nosso velho amigo.
vem, vambora q o q vc demora é o q tempo leva.
vamos fazer uma serenata. vamos fazer poesias em guardanapos de papel.
vamos ver a lua. ou a rua.
a verdade nua e crua.
vem tá na hora. de sentar na calçada. de fazer palhaçada.
de procurar o desconhecido.
de não se dar por vencido.
de jogar fora as nossas máscaras e âncoras e amarras e escudos.
hora de se desarmar. de amar.
de ser leve como o vento q sopra pra dentro de mim o cheiro da brisa do mar.
passou da hora de andar descalço. e sem camisa.
de esquecer dos seus deadlines. e check points.
das nossas dívidas.
dos chefes, mentores, professores, doutores.
vem comigo vai.
ainda dá tempo de ver o horizonte.
seja ele belo ou feio.
seja eterno ou seja meio.
eu quero falar da moça bonita. da esquisita.
da q se acha. e da q não se
encontra.
da ruiva tatuada q passa fingindo q é descolada. coitada.
da gorda e da magra.
da q percebeu q tirando a pele somos todos iguais. mortais.
ah q mundo doido é esse em que a gente vive.
por favor, é só hoje.
tem um cara aqui sozinho.
perdido no meio do caminho.
q sabe q vc é muito mais do q isso. é um desperdício.
vamos jogar bola. ou só jogar conversa
fora.
vamos lembrar do tempo em q a gente era eterno.
me conta da sua viagem. da sua miragem.
vale falar de política ou de religião.
só não vale é ser em vão.
olha aquele andarilho. tem uma pessoa ali. q certamente já viu mais do q eu e vc.
larga mão desse face.
vamos comprar pipoca. ou algodão doce.
me conta dos seus filhos. dos seus planos. dos seus desenganos.
eu não me importo de ouvir.
eu só to com medo é de morrer e ninguém perceber.
ahhhhh. esse mundo doido que a gente NÃO vive.
é onde eu queria estar.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
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