terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

meu pai

A gente se desacostuma. Mas não devia. Não que falte amor. Muito pelo contrário. É coisa de homem. Você cresce. Aprende as regras desse mundo cão. De tanto colocar a faca nos dentes prá matar o leão do dia, acaba se esquecendo do afeto. Daquele abraço apertado. De passar a mão nos cabelos brancos e poucos. De dizer com palavras o tamanho do nosso amor. Aquele nosso herói do passado hoje tropeça nas lembranças. E a gente se esquece do poder do contato. Depois de 3 meses nessa luta diária no hospital, pai, eu aprendi com você que cuidar é muito simples. É só a gente voltar no tempo em que eu dependia de você. E hoje eu sei que você não tinhas as respostas (que eu também não tenho hoje). Você simplesmente estava lá e isso me bastava. Estava lá para segurar a minha mão. Prá eu dormir no seu peito enquanto os monstros teimavam em poluir minhas noites. Mal sabia eu que os verdadeiros monstros eu encontraria agora. Eu não sabia que você sentia medo. E que bastaria eu segurar sua mão prá te fazer dormir. O mundo girou e hoje você precisa de mim. Mas não é uma dependência. É mais um compartilhar de sentimentos. Das teorias que inventamos juntos nessas noites mal dormidas. Das visitas ao banheiro. Das manias que você criou. Me dói te te ver assim... tão frágil. Tão carente de uma coisa tão simples: carente de presença. Será que você chorava tanto quanto eu choro hoje? É aquele choro contido, calado, sozinho, magoado. Aquele choro que sai quando ninguém vê. Que rasga o peito. Que corta a alma. Dói muito saber que você tá sofrendo e eu não consigo criar um Universo paralelo onde a gente é amigo de infância. Crianças da mesma idade brincando de bola. Choro em cada grande vitória e nas pequenas derrotas que temos enfrentado. Choro de alegria e de tristeza. Choro de amor. E de dor. Eu sempre soube que esse dia chegaria. Mas eu andava ocupado demais com meus falsos problemas. Aproveite que hoje é sexta e abrace seu pai. Ou sua mãe. Ou quem te faz feliz. Quem te completa. Diga tudo o que você sempre quis dizer e não disse. Ainda dá tempo. Eu não sei viver sem ter carinho. É a minha condição. A gente vai sair dessa. Te prometo. Nota em 04fev2014: saímos. :)

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