sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

mil razões p escrever

Eu só escrevo pq não sei voar. 
Não quero incomodar. Muito menos impressionar. 
É q tem coisas da alma q não dá p calar. 
Se eu vejo uma folha em branco me ponho a rabiscar. 
E as palavras brincando começam a se juntar. 

Não escrevo pq quero. E nem pq desquero. 
No dia mais tenso ou na calmaria do mar. 
Eu não penso. 
Mas a minha cabeça se põe a pensar. 
E aí eu me desespero. 
Com mais uma ideia querendo sair p dançar. 

Não estou triste e nem alegre. Não sinto dor e nem tenho febre. 
To assim meio cá e lá. Sempre sempre a contemplar. 
Mas se entro no quarto vejo logo um poema torto q eu não sabia q estava lá. 
Deve ter sido um delírio ou um momento de lucidez.  
Mas isso quem foi q fez? 
É a minha letra, não dá p negar. 

Por onde quer q eu ande
tem sempre um conto me implorando p terminar. 
Na fila do banco ou na porta do altar. 
Olhando o pescoço da moça ou numa mesa de bar. 
Me pego perdido a saborear. A beleza da vida ou a ausência no ar. 

Eu tenho mania de ver TV sem som. Vou passando de canal em canal. 
Vendo as imagens q vão se formando sem ninguém p me explicar. 
Não quero da vida um roteiro. Eu gosto mesmo é de improvisar. 

Eu só escrevo pq não sei respirar. 
Nadie precisa ler ou compartilhar. 
Alguns bebem e outros assaltam a geladeira. 
Cospem no prato ou dormem a noite inteira. 
Seja rico ou seja pobre. 
Esteja vivo, morto ou na beira do abismo. 
Seja dia de batismo. 
Ou hora de se enterrar. 

Eu só escrevo pq preciso. 
A palavra mais certa é a q a gente inventa p se aceitar. 
Amor romance loucura dolor. 
Crença doença fé louvor. 
Paixão fúria mais um na multidão. 
Conselho desejo sonho inspiração. 
Sorte delírio sofreguidão. 
Peito alma e coração. 
Alma emoção. 
Suspiro ingratidão. 
Pode ser q sim. 
Mas pode ser q não. 
Pernas poeira na imensidão. 
Silêncio catarse ilusão. 
Sina destino ou alucinação? 

Só escrevo com vinho no copo e copo na mão. 
Só escrevo sozinho. Ou não.
Só escrevo. Não sei a razão.

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