Eu só escrevo pq não sei voar.
Não quero incomodar. Muito menos impressionar.
É q tem
coisas da alma q não dá p calar.
Se eu vejo uma folha em branco me ponho a rabiscar.
E as palavras brincando começam a se juntar.
Não escrevo pq quero. E nem pq desquero.
No dia mais tenso ou
na calmaria do mar.
Eu não penso.
Mas a minha cabeça se põe a pensar.
E aí eu me desespero.
Com mais uma
ideia querendo sair p dançar.
Não estou triste e nem alegre. Não sinto dor e nem tenho
febre.
To assim meio cá e lá. Sempre sempre a contemplar.
Mas se entro no
quarto vejo logo um poema torto q eu não sabia q estava lá.
Deve ter sido um delírio
ou um momento de lucidez.
Mas isso quem foi q fez?
É a minha letra, não
dá p negar.
Por onde quer q eu ande
tem sempre um conto me implorando p terminar.
Na fila do banco ou na porta do altar.
Olhando o pescoço da
moça ou numa mesa de bar.
Me pego perdido a saborear. A beleza da vida ou a
ausência no ar.
Eu tenho mania de ver TV sem som. Vou passando de canal em
canal.
Vendo as imagens q vão se formando sem ninguém p me explicar.
Não quero
da vida um roteiro. Eu gosto mesmo é de improvisar.
Eu só escrevo pq não sei respirar.
Nadie precisa ler ou
compartilhar.
Alguns bebem e outros assaltam a geladeira.
Cospem no
prato ou dormem a noite inteira.
Seja rico ou seja pobre.
Esteja vivo, morto ou na beira do
abismo.
Seja dia de batismo.
Ou hora de se enterrar.
Eu só escrevo pq preciso.
A palavra mais certa é a q a gente
inventa p se aceitar.
Amor romance loucura dolor.
Crença doença fé louvor.
Paixão fúria mais um na multidão.
Conselho desejo sonho inspiração.
Sorte
delírio sofreguidão.
Peito alma e coração.
Alma emoção.
Suspiro ingratidão.
Pode ser q sim.
Mas pode ser q não.
Pernas poeira na imensidão.
Silêncio catarse ilusão.
Sina destino ou alucinação?
Só escrevo com vinho no copo e copo na mão.
Só escrevo sozinho. Ou não.
Só escrevo. Não sei a razão.
Só escrevo sozinho. Ou não.
Só escrevo. Não sei a razão.
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