Saudade do tempo em q a gente se via.
Os contatos reais. E verdadeiros.
Sinto falta das imitações q a gente fazia.
E dos apelidos q a gente se dava.
Cada qual com sua dor devidamente escondida,
Mas q não sobrevivia
À primeira risada.
O mundo era de fantasia. E era apenas o q a gente queria.
Saudade do jeito q a gente vivia.
Com as neuroses normais da nossa idade. Mas só as da nossa
idade.
Saudade da nossa cidade.
E até saudade da necessidade
De estar perto e junto.
Vontade de ser amigo.
De ter a palavra certa pras horas erradas.
De dividir a conta. E um conto.
De pegar aquele cineminha.
Ou caminhar por aí.
Vontade de ficar em silêncio
Só p ver a vida passar.
Conta aí como foi, como vai.
Fala com a boca e com os olhos.
Q com os dedos eu não quero mais.
Me xinga, me briga, me busca.
Que um abraço é o melhor lugar
P gente se reencontrar.
Sem carinhas, mas com caretas.
Já chega de selfies e posts e whats.
E mails e mensagens e escaipes.
Doenças da nossa geração.
Saudade da sua presença.
Saudade do tempo em a gente era criança.
A vida não passava na tela
A vida era uma aquarela
E a gente sabia pintar.
Saudade de ouvir sua voz
Vc cortou o cabelo?
Vc já se olhou no espelho?
Pintou a unha de preto ou de vermelho?
Te contei q meu joelho estragou?
To lendo um livro daquele escritor.
Onde estão os brincos q eu te dei?
Ficavam perfeitos em ti
Mas só quando o cabelo escondia.
Preocupa não tiazinha
Vc ainda tá ajeitada.
Parece q eu posso ver
Mais uma das suas risadas.
Então tá combinado.
Nem eu te ligo, nem vc me telefona.
E de repente a gente se encontra.
Preocupa não.
Vc sabe q eu sou assim.
Todo palhaço é triste no fim.
Vai ver é coisa da idade e passa.
Só a saudade não passa
A sua presença em mim.
Só.
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