- Estudou p prova?
- Q prova?
- GA!
- Vixe. Quando?
- Amanhã!
Como esse diálogo geralmente surgia de madrugada, o amanhã era algo próximo, muito próximo. Estranho p mim q sempre tive dificuldade em entender o compasso do tempo. Vivo em algum instante do passado feliz de menino ou no futuro promissor de poeta sonhador. Eu vivi fora do meu tempo. E talvez essa tenha sido a minha melhor parte. P quem soube me entender e aproveitar. E viajar comigo pelos descaminhos q a vida nos apresenta.
Uma lida na diagonal na matéria da prova era prenuncio do desastre q se apresentava. Como Leminski, não discuto c o destino, o q pintar eu assino.
Ah aquela sensação boa de não saber o idioma da questão. Ok, professor, exatamente o q vc quer saber? Pq eu não consigo decifrar nesses seus códigos q raio de resposta vc quer de mim! E, cá entre nós, no q exatamente o fato de eu saber a resposta me prepararia p o mundo real? Eu queria empreender. Eu queria empoderar. Eu queria transformar. E vc me vinha com GA.
Dito e feito. Tirei 1.0. Devo ter acertado apenas o meu nome. Por certo, o único espaço do papel q eu preenchi com alguma convicção. Foram tantas vezes q eu pensei em desistir. Foram tantos amigos q por algum motivo me fizeram prosseguir. E essa minha eterna teimosia de não sair antes do fim. Nesses 20 anos não me lembro de um só momento em q eu tenha precisado daquela prova de GA. Mas não tem um dia em q de alguma forma eu não tenha precisado da sua amizade. De perto ou à distância. Involuntariamente, na maioria das vezes. Foi muito bom saber q se tudo desse errado (e não deu) eu ainda teria a sua amizade. Uma amizade à toda prova. Essa foi a única prova q me importou.
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