Tava aqui pensando. quando a gente nasce vão logo botando um livro em branco na nossa mão
e mandando a gente começar a escrever.
vc nem sabe direito o que é a vida (e vai passar a vida inteira sem saber)
e vão logo cobrando que vc escreva a sua história.
e, de cara, vc precisa descobrir duas coisas:
1) o que vc mais gosta de fazer
2) o que vc faz melhor
se vc for o "cara", essas duas coisas serão a mesma coisa. e se o "cara"
lá de cima te escolheu como "case" do livro dele, aí figura, tu tá feito.
vai ganhar a vida fazendo o que mais gosta e o que faz de melhor.
eu bem sei, pq sonhei um dia.
e comecei a botar esse sonho no meu livro desde sempre.
vc vai montando a historinha, meio que sem saber direito que palavras usar.
vc quer ser diferente, mas percebe que todas as palavras já foram usadas.
pior ainda é que quando vc tenta ser igual aos outros, a sua história sai diferente,
pois não existem dois livros iguais nessa vida.
vc copia capítulos inteiros das pessoas que vc admira, mas a coisa não
sai como vc queria. aí, no meio de uma simples página qualquer,
vc se dá conta de que errou no texto.
arranca a página, sacode a poeira e... tenta dar a tal volta por cima.
por cima de quem eu não sei. talvez seja por cima dos seus próprios medos.
de vez em quando, a história que vc está escrevendo se confunde com a história
de outras pessoas. bom mesmo é quando uma dessas histórias está sendo escrita
por uma pessoa especial. especial prá sua história.
vc só vai perceber bem depois, quando a sua história e a dela (ou dele) já
viraram uma só.
parece que tudo fica mais fácil. o livro fica meloso. aquelas palavras bregas (amor, casamento, família, filhos) que vc odiava começam a ficar bonitinhas.
e vcs escrevem cada coisa, meu caro, que o horário e a decência me impedem de
comentar aqui. mas eu bem sei que vc sabe do que eu to falando. ou escrevendo.
o grande problema é que tem sempre o momento de escrever um novo capítulo.
e cada livro é pessoal e intransferível. e a sua história e a da outra pessoa
nem sempre prosseguem na mesma direção (mas essa já é uma outra história).
quem é que conhece os caminhos dessa vida?
o fato é que, por pior que seja o texto, será sempre a sua história.
a sua. de mais ninguém. e vc aprende que tem que se orgulhar disso.
aprende que não existe decisão errada. nem certa.
que escrever qualquer coisa é sempre melhor do que deixar a página
em branco. aprende que vc sempre pode reler um parágrafo, uma frase, uma
palavra (principalmente aquelas palavras não ditas). e ainda que não seja
permitido alterar nenhum trecho, isso tudo pode te ajudar a tentar
mudar a página seguinte, que ainda não foi escrita mas está prestes a acontecer.
aprende que vc pode deixar sua marca nos livros dos outros. e isso, muito além
de um prazer é certamente uma responsabilidade. vc escreve na vida dos outros
com um carinho, um abraço, um beijo ou uma ausência.
pq às vezes nos falta a palavra exata, mas não há de nos faltar um amigo sincero
com um sinônimo qualquer para nos encorajar a seguir adiante. ou ficar do nosso lado
enquanto choramos baixinho e borramos a página triste que acabamos de escrever.
aprende que o feio não é não chegar, mas não ter a coragem de ir.
que a melhor parte em vc é exatamente aquilo que vc esconde dos outros.
aprende que saudade não é caminhar vazio. que amar vale à pena. que tem coisas
que o dinheiro verdadeiramente não compra: os sentimentos.
que o passado já passou e o futuro é um lugar aonde vc ainda vai morar um dia.
que o tempo não volta atrás, mas que o pensamento é vc criança e vai brincar aonde
vc deixar ele ir.
aprende que um livro pode ser encerrado a qualquer momento, mesmo aparentemente
inacabado. pq a vida é assim: o personagem principal de cada história sempre
morre. ou vira vento. palavras ao vento.
mas chega de tanta bobagem pq tem palavras demais aqui (e sentimentos também)
e a vida não pára prá gente viver.
que neste ano novo seu livro seja repleto de belas histórias, pq eu ando achando
que a vida é só isso mesmo.
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
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