sexta-feira, 14 de julho de 2017

Saudades do tempo do nunca

Saudade do tempo em q a gente se via. 
Os contatos reais. E verdadeiros. 
Sinto falta das  imitações q a gente fazia. 
E dos apelidos q a gente se dava. 
Cada qual com sua dor devidamente escondida, 
Mas q não sobrevivia 
À primeira risada. 
O mundo era de fantasia. E era apenas o q a gente queria.  

Saudade do jeito q a gente vivia. 
Com as neuroses normais da nossa idade. Mas só as da nossa idade. 
Saudade da nossa cidade. 
E até saudade da necessidade 
De estar perto e junto. 

Vontade de ser amigo. 
De ter a palavra certa pras horas erradas. 
De dividir a conta. E um conto. 
De pegar aquele cineminha. 
Ou caminhar por aí. 
Vontade de ficar em silêncio 
Só p ver a vida passar. 

Conta aí como foi, como vai. 
Fala com a boca e com os olhos. 
Q com os dedos eu não quero mais. 
Me xinga, me briga, me busca. 
Que um abraço é o melhor lugar 
P gente se reencontrar. 

Sem carinhas, mas com caretas. 
Já chega de selfies e posts e whats. 
E mails e mensagens e escaipes.
Doenças da nossa geração. 
Saudade da sua presença. 
Saudade do tempo em a gente era criança. 
A vida não passava na tela 
A vida era uma aquarela 
E a gente sabia pintar. 

Saudade de ouvir sua voz 
Vc cortou o cabelo? 
Vc já se olhou no espelho? 
Pintou a unha de preto ou de vermelho? 
Te contei q meu joelho estragou? 
To lendo um livro daquele escritor. 
Onde estão os brincos q eu te dei? 
Ficavam perfeitos em ti 
Mas só quando o cabelo escondia. 
Preocupa não tiazinha 
Vc ainda tá ajeitada. 
Parece q eu posso ver 
Mais uma das suas risadas. 

Então tá combinado. 
Nem eu te ligo, nem vc me telefona. 
E de repente a gente se encontra. 
Preocupa não. 
Vc sabe q eu sou assim. 
Todo palhaço é triste no fim. 
Vai ver é coisa da idade e passa. 
Só a saudade não passa
A sua presença em mim. 
Só. 

Da série Assim falou R3, direto do bloco de notas do meu Aifone. 

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