sexta-feira, 14 de julho de 2017

Só os filhos são felizes

Nunca entendi pq minha mãe escolhia sempre os piores bombons da caixa. Q sorte a minha. 
Nunca entendi pq minha mãe esperava sempre eu parar de comer. P comer o q sobrava, ou seja, aquilo q eu não gostava. O  q ficava na panela ela deixava p o meu pai, q de certa forma era o outro filho dela. Q sorte a nossa. 
Nunca entendi pq tanta pergunta: aonde vai? Com quem?  Q hrs volta? 
Leva blusa! E o guarda-chuva. Me liga! Nunca entendi pq tanto amor. 
E logo eu q não merecia. 
Nunca entendi tb pq tanta dor. 
Nunca entendi pq nos piores momentos eu sempre sabia p onde correr. O colo. O abraço. E as chineladas. Os gritos sem razão. Minha preferida atriz de novela mexicana. Qto drama!
Nunca entendi como é q ela achava. Perdi meu caderno. E a camisa preferida usada na semana passada. Não dorme nunca. Sempre preocupada. 
O café da manhã de madrugada. A farda engomada. E a cama arrumada. 
Aí foi só arrumar a mala. E sair de casa. 
Mãe, vou pra vida. Tenho sonhos demais e a culpa é sua. 
Nunca entendi bem essa coisa da vida. Q eu acho meio errada. Já não me lembro do dia exato em q desisti de deus. Deus não existe. Ele insiste em levar as mães. E isso é imperdoável. Ninguém merece viver um pedaço dessa vida sem uma mãe. À medida em q meu tempo acaba, me desespero. Fica comigo, por favor. Não me abandona. Q a vida não nos separe. 
Pq a sorte é minha. Q sorte a minha ter te escolhido. Pois só os filhos são felizes. 

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